Investimento travou no segundo trimestre. INE confirma crescimento do PIB de 1,8%

O INE confirma que o PIB cresceu 1,8% no segundo trimestre face ao período homólogo e adianta que o investimento perdeu gás depois de um arranque do ano positivo.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta sexta-feira que a economia se segurou no segundo trimestre do ano, apesar da degradação da conjuntura externa, e adiantou que o investimento abrandou.

A 14 de agosto, o INE revelou que a economia cresceu cresceu 0,5% no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano e 1,8% em termos homólogos. Esta manhã, o instituto confirmou estes valores e adiantou mais detalhes sobre a evolução das componentes.

“O PIB registou no 2.º trimestre de 2019 uma taxa de variação homóloga de 1,8% (taxa idêntica à do trimestre anterior). O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu para 2,4 pontos percentuais (4,1 p.p. no 1.º trimestre), devido principalmente à desaceleração do Investimento“, adianta o INE.

“A procura externa líquida apresentou um contributo menos negativo, de -0,6 p.p. (-2,3 p.p. no trimestre precedente), em resultado da desaceleração mais intensa das Importações de Bens e Serviços relativamente à das Exportações de Bens e Serviços”, acrescenta o instituto.

Também os dados que comparam a evolução da economia com o que aconteceu no primeiro trimestre mostram uma estabilização, com o PIB a crescer 0,5% – o mesmo que no arranque de 209.

“O contributo da procura interna para a taxa de variação em cadeia do PIB, que tinha sido positivo no 1.º trimestre, passou a negativo (de 1,4 p.p. para -0,9 p.p.), enquanto o contributo da procura externa líquida foi positivo (1,5 p.p.) no 2.º trimestre, após ter sido negativo (-0,9 p.p.) no trimestre precedente”, explica o INE.

Evolução da economia (Valores em percentagem)

Fonte: INE

Investimento cresceu, mas ritmo encolheu para metade. O que se passou?

Quando divulgou a estimativa rápida para o PIB do segundo trimestre o INE já tinha avançado com a ideia de que o investimento tinha tido um desempenho pior naquele período. Agora chegam os números que dão corpo a esta ideia.

Em termos homólogos, o período entre abril e junho aponta para uma evolução desfavorável, com o investimento a crescer 6,1%, menos de metade do que o ritmo de crescimento observado no primeiro trimestre, quando a taxa de variação homóloga foi de 14%.

“A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) total determinou em grande medida esta desaceleração, passando de um crescimento homólogo de 11,8% para 6,9% no 2º trimestre. A Variação de Existências registou um contributo de -0,1 p.p. para a variação homóloga do PIB no 2.º trimestre, após o contributo positivo de 0,4 p.p. no 1.º trimestre“, adianta o INE.

Em mais detalhe, o instituto avança que “a desaceleração da FBCF total deveu-se ao comportamento da FBCF em Outras Máquinas e Equipamentos, com uma taxa de variação homóloga de 4,4% (15,3% no 1º trimestre) e da FBCF em Construção, que desacelerou para 8,5%, após ter aumentado 13,4% no trimestre precedente”.

Quanto à evolução em cadeia, o INE explica que “o Investimento total diminuiu 3,7% (taxa de variação em cadeia de 6,8% no trimestre anterior), verificando-se uma variação em cadeia da FBCF total de -2,4% (8,4% no 1.º trimestre), e tendo o contributo da Variação de Existências para a variação em cadeia do PIB sido de -0,3 p.p.”.

No primeiro trimestre o investimento tinha evoluído a níveis recorde mas, tal como o ECO escreveu, existiam alguns indicadores que permitiam antecipar que aquele bom desempenho – valorizado politicamente pelo Governo de António Costa – podia não se prolongar para o segundo trimestre do ano.

Em termos homólogos registou-se ainda um abrandamento do consumo privado, com uma taxa de variação a passar de 2,3% para 1,9%, o que resultou da evolução da compra de bens duradouros, em particular “devido ao comportamento da aquisição de veículos automóveis”. Também no consumo público se verificou um abrandamento, com a taxa de variação homóloga a passar de 0,6% para 0,4%.

Com alguns dos mercados de destino das exportações nacionais a abrandar no segundo trimestre do ano, as vendas para o exterior desaceleraram, tendo a taxa de variação homóloga passado de 3,7% para 2%. Uma tendência que se registou tanto nas exportações de bens como na de serviços. As importações também travaram e até de forma mais significativa, com a taxa de variação homóloga a passar de 8,1% no primeiro trimestre ara 3,1% no segundo trimestre.

(Notícia atualizada)

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