Venda de créditos mediáticos é “marco importante na reestruturação do Novo Banco”

A Moody's emitiu uma nota em que considera o recente acordo para a venda do projeto Nata II positivo para a avaliação de crédito da instituição liderada por António Ramalho.

O Novo Banco anunciou, no final da semana passada, que chegou a acordo com uma participada da Davidson Kempner European Partners para a venda de uma carteira de empréstimos não produtivos (NPL) e exposições relacionadas por um valor bruto de 1,7 mil milhões de euros: o projeto Nata II. Apesar de o negócio vir a ter um impacto negativo de 106 milhões de euros nas contas de 2019 do banco, a Moody’s considera que este é positivo para o respetivo crédito, já que “melhorará as muito fracas métricas dos seus ativos de risco”.

A avaliação surge numa análise divulgada esta quarta-feira pela agência de notação financeira, que comenta a alienação do projeto Nata II, cuja conclusão está prevista para antes do final deste ano.

O stock de NPL do Novo Banco era de 6,3 mil milhões de euros no final de junho, representando quase 22% dos seus empréstimos brutos. A Moody’s diz que esse rácio de NPL “compara muito mal” face à média de 9,6% que é apresentada pelo sistema bancário nacional, mas lembra que este melhorou face aos 23,5% que se registavam no final de 2018.

Considerando ainda o stock de ativos imobiliários executados (2,3 milhões de euros à data de 30 de junho de 2019), o rácio de ativos não produtivos (NPA) era 27,6%, o mais alto para um banco português com avaliação de rating (o rácio NPA médio era de 13,3% no final de 2018, os dados mais recentes disponíveis). Com a conclusão do alienação, a Moody’s estima uma redução no rácio de NPL do Novo Banco para cerca de 17% e do seu rácio de NPA para 23%.

Tendo em conta o desconto no preço de venda face ao valor do projeto Nata II, o Novo Banco anunciou que o acordo terá um efeito negativo na sua demonstração de resultados em 2019, na ordem dos 106 milhões de euros. Apesar disso, a agência de notação financeira salienta que se trata de “um marco importante no plano de reestruturação do Novo Banco” acordado com Bruxelas.

Juntando os resultados da materialização da alienação do Projeto Nata II aos do acordo com a Cerberus Capital Management, para a venda uma carteira de ativos imobiliários por um valor bruto de cerca de 488 milhões de euros, e com a Waterfall Asset Management para a alienação de um portfólio de NPA relacionados às suas operações na Espanha por 308 milhões, a Moody’s estima uma redução do rácio de NPA do Novo Banco em mais de 200 pontos base face aos 23% que estimava. “A materialização dessas alienações será essencial para aliviar os desafios persistentes de solvência do Novo Banco, que resultam, principalmente, do seu stock elevado de NPA.

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