PS ganha eleições, políticas mantêm-se, mas S&P alerta que o “contexto económico mudou”

A S&P faz rasgados elogios a Portugal, destacando o aumento da resiliência económica. Não vê as eleições como um risco, lembrando que o PS deve vencer, mas alerta que o mundo mudou.

Quem vai vencer as eleições legislativas? A S&P confia nas sondagens. Vê a ida às urnas por parte dos portugueses sem qualquer preocupação, antecipando que a vitória do PS leve a uma continuidade das políticas que elogia à luz dos resultados: mais crescimento, menos défice, custos de financiamento em queda, culminando na redução na dívida pública. Mas alerta que o contexto mudou.

“As eleições em Portugal estão agendadas para 6 de outubro. Recentes sondagens sugerem que os socialistas (o partido com mais votos nas Europeias) deverão manter-se no Governo, o que tem implícita a continuação das políticas” de rigor orçamental. O PS, de António Costa, surge destacado em todas as sondagens que têm sido realizadas, sendo a dúvida se consegue ou não uma maioria absoluta.

A agência de notação financeira que reviu em alta a perspetiva da dívida pública de “estável” para “positiva”, abrindo a porta à subida do rating de BBB para BBB+ a breve prazo, mostra-se tranquila perante o ato eleitoral. Vê a manutenção das políticas de Mário Centeno, mas alerta que “o que mudou foi, claro, o contexto macroeconómico global”.

“Prevemos uma desaceleração do crescimento da economia da Zona Euro de quase 2% no ano passado para pouco mais de 1% este ano”, diz a S&P, na nota emitida para Portugal. “O abrandamento da procura externa já levou a um enfraquecimento gradual do ritmo de crescimento das exportações de Portugal, este ano, comparativamente à primeira metade de 2018″, salienta.

Apesar de notar esta mudança, a S&P lembra que a “procura doméstica e o mercado laboral estão a aguentar-se bem, isto ao mesmo tempo que o Banco Central Europeu mantém-se comprometido com uma política monetária acomodatícia”, tendo essa perspetiva sido reforçada com novos estímulos anunciados na última reunião por Mario Draghi.

Perante este cenário, a S&P estima para este ano “que o PIB cresça 1,8%, o que compara com os 2,1% em 2018”. “Com o investimento doméstico a fazer aumentar as importações ao mesmo tempo que a procura externa reduz as exportações, prevemos que as exportações líquidas continuem a pesar no crescimento do PIB”, remata.

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