BE já escolheu bandeiras para negociar na próxima legislatura

  • ECO
  • 14 Setembro 2019

As bandeiras do BE já estão definidas e vão desde a nacionalização dos CTT à descida do IVA da energia, medida que a líder do partido diz custar 700 milhões de euros.

Catarina Martins já tem um “caderno de encargos” para negociar na próxima legislatura, caso o resultado das eleições de 6 de outubro crie condições para um acordo de governação ao estilo geringonça 2.0. Isto porque “as maiorias absolutas não trazem estabilidade à vida das pessoas”, garante a líder do Bloco de Esquerda (BE).

Em entrevista ao Expresso (acesso pago), Catarina Martins elencou alguns dos pontos que deverão ser as bandeiras do partido durante a próxima legislatura. À cabeça vai estar a passagem do controlo dos CTT para a esfera pública, num contexto de renegociação do contrato de concessão do serviço postal universal. Mas há também exigências do ponto de vista do aumento do investimento público para “resolver problemas como os transportes ou a habitação”.

O BE também vai defender “um programa que seja capaz de alterar a legislação laboral”, para “puxar pelos rendimentos do trabalho”. E recupera ainda a descida do IVA da energia, para fazer baixar as faturas da eletricidade e do gás aos portugueses, medida que a líder bloquista disse custar 700 milhões de euros.

Os benefícios fiscais aos estrangeiros residentes em Portugal têm um custo de 600 milhões de euros. Descer o IVA da eletricidade e do gás para toda a gente só custa 700 milhões de euros”, argumentou Catarina Martins.

Com a legislatura a chegar ao fim, e as sondagens a começarem a apontar para uma possível maioria absoluta do Partido Socialista (PS) de António Costa, a dirigente do BE não exclui nenhum cenário. Seja ele o de ir para o Governo ou o de negociar com os socialistas sem o Partido Comunista Português (PCP).

A acontecer uma geringonça 2.0 (o nome pelo qual ficou conhecida a atual solução governativa, que junta PS, BE e PCP), terá de haver acordo escrito. “Tenho uma certa dificuldade em ver acordos entre partidos, como os que fizemos em 2015, sustentados numa espécie de acordo de cavalheiros. Não é. Os compromissos têm de ser mais fortes”, atirou.

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