Portugal entre os países onde os ativos das famílias mais crescem. Mas o passivo também sobe

Pela primeira vez em mais de uma década, a riqueza mundial da classe média não cresceu. Portugal é um dos poucos que conseguiu contrariar a tendência.

Os ativos financeiros das famílias portuguesas cresceram 1,6% no ano passado e, segundo o Allianz Global Wealth Report, esta foi o terceiro maior aumento na Zona Euro. O país contraria assim a tendência mundial, onde o total de ativos financeiros caiu, pela pela primeira vez desde a crise. Apesar disso, o passivo das famílias em Portugal também aumentou.

Os ativos financeiros líquidos das famílias em Portugal cresceram 1,6% em 2018, o que representa o crescimento mais lento desde 2012. Por cada habitante no país, existiam 23.230 euros em ativos, sejam eles depósitos, PPR, seguros, ações ou obrigações. Portugal ocupou, tal como no ano anterior, no 23º lugar do ranking dos países mais ricos da seguradora Allianz.

Portugal foi um dos poucos países europeus a alcançar crescimento, superado apenas pela Alemanha (2,2%) e Holanda (1,7%), na Zona Euro, e também pela Noruega (2,8%) a nível europeu. Espanha (-1,6%), Itália (-4,8%) e Grécia (-7,2%) destacaram-se pela negativa.

“Todas as classes de ativos contribuíram para o aumento, destacando-se os depósitos bancários, que atraíram grande parte das novas poupanças, com um aumento de 3,8%. A classe dos títulos, seguros e pensões apresentaram crescimentos muito mais débeis: 0,8% e 0,6%, respetivamente”, refere o Allianz Global Wealth Report.

O passivo financeiro das famílias portuguesas cresceu 1,6%, o maior o aumento dos últimos oito anos. Apesar disso, a dívida privada está 10% abaixo do pico de 2010 e o índice de endividamento das famílias continuou a recuar, fixando-se em 84,1% no final de 2018 (menos 20 pontos percentuais abaixo do pico em 2010).

Riqueza do mundo recua pela primeira vez desde a crise

O ranking dos países mais ricos é liderado pelos EUA, que superaram a Suíça em 2018. No entanto, o ano não foi positivo a nível global: pela primeira vez, em mais de uma década, a riqueza mundial da classe média não apresentou crescimento. Cerca de 1.040 milhões de pessoas pertenciam à classe média, o mesmo número que no ano anterior. Os ativos financeiros nos países industrializados e emergentes diminuíram simultaneamente pela primeira vez.

O relatório refere que 2018 foi um ano “exigente”, apontando para a guerra comercial entre os EUA e a China, o Brexit, crescentes tensões geopolíticas, o agravamento das condições monetárias e a perspetiva de normalização da política monetária. Nos mercados acionistas, o valor global das ações caiu 12%, levando a uma quebra no valor global dos ativos financeiros brutos das famílias de 0,1% para 172,5 biliões de euros.

“A crescente incerteza teve sequelas. O desmantelamento da ordem económica global, baseada em regras, limita a acumulação de riqueza. Os números do crescimento de ativos também o tornam evidente: o comércio não é um jogo de soma nula. O protecionismo agressivo não conhece vencedores”, sublinhou Michael Heise, chief economist da Allianz, no relatório.

No que diz respeito às poupanças, cresceram 22% para mais de 2.700 mil milhões de euros. O aumento do fluxo de fundos foi impulsionado, essencialmente, pelas famílias norte-americanas que graças à reforma tributária dos EUA viram as poupanças crescerem 46%.

Se as famílias norte-americanas procuram títulos, as famílias de outros países continuam a apostar nos depósitos bancários (ou na venda de títulos). Pelo oitavo ano consecutivo, dois terços das poupanças na Europa Ocidental tiveram como destino depósitos bancários.

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