Caixa financia compra de casas de luxo portuguesas em leilão no Brasil

Mais de 40 imóveis em Portugal, avaliados em 50 milhões de euros, sobem à praça esta quinta-feira em São Paulo. Entre os atrativos está um financiamento da Caixa a 30 anos.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis milhões… Mais de quatro dezenas de imóveis, incluindo casas, lojas e quintas avaliadas em milhões de euros vão a leilão esta quinta-feira em São Paulo, no Brasil, com a leiloeira a fazer mira aos investidores mais ricos, acenando-lhes com descontos de 20%, a possibilidade de obterem cidadania portuguesa através dos vistos Gold e ainda “as melhores condições de pagamento” com um banco português: a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

São, ao todo, 44 imóveis que a leiloeira Leilão VIP leva à praça, com os valores iniciais de licitação a variarem entre os 150 mil euros (um apartamento em Fátima, Santarém) e os seis milhões de euros (uma quinta em Avis, Portalegre). Mas a grande maioria são apartamentos de luxo localizados em Lisboa e também Cascais, incluindo moradias e apartamentos de luxo com preços acima do milhão de euros em muitos casos.

“Chegou a sua hora de investir em Portugal, aproveite o melhor da Europa”, acena a leiloeira brasileira no catálogo de apresentação dos imóveis que vão subir à praça. “Portugal é o terceiro país mais seguro do mundo, Lisboa é a segunda melhor cidade do mundo para investir, a educação é de alta qualidade e os sistemas de transporte e saúde são eficientes”, garante.

Se as características do país não são suficientemente atrativas, a Leilão VIP elenca mais um conjunto de vantagens: vão a leilão “imóveis de luxo em localizações privilegiadas, com preços até 20% abaixo do valor de mercado”, o investimento abre a “possibilidade de adquirir a cidadania portuguesa após a compra“, através do programa Golden Visa, e a melhor “equipa de especialistas para esclarecer qualquer dúvida sobre os imóveis, processo de compra, pagamento e documentação”.

Outro fator diferenciador evidenciado pela leiloeira são “as melhores condições de pagamento”, com financiamento direto de um banco em Portugal com juros reduzidos. “As propostas de financiamento são analisadas e pré-aprovadas pela CGD nos seguintes termos: 30% de entrada paga pelos clientes, 70% financiado pela instrução de crédito, pelo prazo de 30 anos (360 meses)”, diz ao ECO Hugo da Costa, diretor de Expansão Internacional da Leilão VIP, explicando que “os imóveis são de privados e de construtoras”.

Porquê a CGD para financiar? Pelo “bom relacionamento comercial de vários anos”

Hugo da Costa é português e sócio da Windvip – International Consulting, juntamente com Jorge Capelo, da Odeon Properties, empresa que adquiriu o edifício do antigo cinema Odeon, na Avenida da Liberdade. A oportunidade de começar a leiloar imóveis de Portugal no Brasil surgiu em 2016, com ativos de bancos, contou ao ECO.

E, há cerca de três ou quatro meses, “houve a oportunidade de trazer uma oferta que consideramos que era importante trazer para o Brasil”, diz. “Obtivemos a aprovação de financiamento [da CGD] e estamos a oferecer a assessoria jurídica aos clientes que quiserem comprar o imóvel”, assessoria essa que fica a cargo da portuguesa Abreu Advogados e da brasileira Advogados Velloza.

Já a “escolha” da CGD para oferecer financiamento deveu-se ao “bom relacionamento comercial de vários anos com a instituição”. “Conseguimos esse apoio do banco [CGD] e lançámo-nos nesta nova proposta de vender imóveis pela procura de estrangeiros por Portugal, principalmente brasileiros“.

O primeiro “pacote” de imóveis está localizado, essencialmente, em Lisboa, Cascais, Sintra, Estoril, sendo que cerca de 14 estão em construção e são propriedade do sócio Jorge Capelo. “Daqui para a frente”, referiu o diretor de Expansão Internacional da Leilão Vip, o objetivo é “começar a fazer leilões regularmente, colocando em leilão imóveis no Algarve, Porto, Braga e outras cidades que foram solicitadas por potenciais clientes”.

O ECO contactou a Caixa Geral de Depósitos, mas não obteve uma resposta a tempo da publicação do artigo.

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