Já há data para a saída de Tomás Correia da liderança do Montepio: 15 de dezembro

Tomás Correia pediu para abandonar o cargo de presidente da Associação Mutualista Montepio. Sairá no dia 15 de dezembro. O pedido já foi aprovado pelo conselho geral. Virgílio Lima sucede.

Tomás Correia pediu esta quinta-feira para abandonar o cargo de presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), tal como o ECO avançou em primeira mão. O pedido já foi aprovado pelo conselho geral da instituição. O gestor deixa as funções no próximo dia 15 de dezembro. Virgílio Lima vai substitui-lo no cargo.

Tomás Correia aguardava por uma decisão da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) em relação ao processo de avaliação de idoneidade iniciado há meses — além do presidente, o regulador liderado por Margarida Corrêa de Aguiar está a avaliar outros 22 gestores da mutualista. Embora ainda não houvesse uma decisão, a ASF já tinha transmitido a Tomás Correia a informação de que este não reunia as condições para permanecer no cargo, dando tempo para se afastar pelo seu próprio pé. Assim foi.

O ECO já tinha noticiado na quarta-feira da semana passada que Tomás Correia se preparava para pedir a saída nesta reunião do conselho geral. O próprio garantiu depois que não iria sair esta quinta-feira. Mas as suas últimas declarações públicas já deixavam antecipar mudanças a breve prazo. “É óbvio que por razões de idade, numa dada altura, hei-de sair do Montepio, até porque já não tenho condições físicas e até intelectuais, se quiserem pensar assim, para poder continuar a assumir esta responsabilidade”, afirmou no final da semana passada.

Tomás Correia, que liderava a mutualista há 11 anos, foi recentemente condenado pelo Banco de Portugal a uma coima de 1,25 milhões de euros devido a infrações cometidas durante o tempo em que também era presidente do Banco Montepio. Entretanto, o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão anulou a decisão, pedindo ao supervisor que reorganizasse o processo.

Para o lugar de Tomás Correia foi aprovado pelo conselho de administração o nome de Virgílio Lima, antigo administrador da Lusitânia Seguros, a seguradora do grupo Montepio. Integram ainda a administração da AMMG Carlos Beato, Idália Serrão e Luís Almeida.

António Godinho, um dos opositores a Tomás Correia nas últimas eleições da AMMG, entretanto já reagiu à saída do gestor. “A hoje anunciada demissão de Tomás Correia, pela qual sempre lutámos em defesa dos interesses dos associados e do sistema financeiro e do país, apenas peca por tardia”, pode ler-se numa declaração escrita enviada à Lusa.

O ex-adversário de Tomás Correia, que concorreu encabeçando a lista C nas eleições de dezembro do ano passado, acrescentou que “impõe-se agora a rápida realização de eleições para os órgãos sociais da Associação Mutualista Montepio Geral”.

Para António Godinho, o sufrágio é a “única forma de legitimar os dirigentes do Montepio e de permitir que a instituição possa ser reformada, como urge”.

(Notícia atualizada às 21h37)

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