Tomás Correia diz que sai do Montepio por causa do código das associações mutualistas

Tomás Correia diz que sai da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) porque não quer ser "cúmplice" da violação dos direitos democráticos decorrente das alterações do novo código mutualista.

Tomás Correia pediu escusa do cargo de presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) porque não quer ser “cúmplice” daquilo que considera ser uma violação dos direitos democráticos e da vida interna da instituição decorrente das alterações impostas pelo novo código das associações mutualistas.

“Considero ter ganho o conforto moral que me permite não ter que continuar cúmplice do modelo de governo que o novo código mutualista impôs às associações mutualistas, em clara violação dos direitos democráticos dos seus associados e do modelo de democracia interna que cada associação entende dever construir”, diz o presidente cessante da instituição em comunicado divulgado esta sexta-feira.

O conselho geral da AMMG aprovou esta quinta-feira a saída de Tomás Correia no dia 15 de dezembro, após o gestor ter pedido escusa do cargo por considerar que não tinha “condições anímicas” para continuar. Na reunião de ontem, em nenhum momento da sua intervenção diante dos conselheiros o gestor abordou o facto de a Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF) estar a avaliar a sua idoneidade — foi o regulador a abrir a porta à sua saída. Disse que se afasta com a “missão cumprida”.

Tomás Correia repete essa ideia agora, dizendo os quatro objetivos a que se propôs quando se recandidatou no ano passado estão “razoavelmente cumpridos”:

  1. A candidatura institucional ganhou as eleições em causa, respondendo ao quadro difícil que lhe foi criado, e os associados saíram vencedores;
  2. O projeto dos novos estatutos foi elaborado e mereceu a aprovação prévia do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Não são os estatutos ideais, considerando as limitações do novo Código Mutualista, mas nos termos em que foram estruturados permitem proteger o essencial da nossa Associação;
  3. A nova equipa de gestão para a área seguradora encontra-se em fase final de registo na Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e garante o cumprimento dos novos desafios que a atividade seguradora enfrenta;
  4. O Conselho de Administração da Caixa Económica Montepio, como aliás é público, vai sofrer alguns ajustamentos, alinhados com as necessidades inerentes ao desenvolvimento da sua atividade e à garantia de uma gestão sã e prudente.

Sobre o Banco Montepio, de resto, as palavras de Tomás Correia não são nada abonatórias, considerando que o arrastar do processo de clarificação da equipa de administração foi gerador “de claro prejuízo para a sua atividade e reputação”.

Tomás Correia diz-se ainda “seguro” de que ao longo dos 16 anos de serviço na mutualista esteve sempre à altura dos seus deveres e responsabilidades perante “os associados, as estruturas da economia social e os colaboradores”, a quem agradece a confiança.

Mas diz ser o momento de deixar a presidência do Montepio “sem a criação de vazios”, lembrando que o projeto de revisão dos estatutos prevê a continuidade os órgãos sociais. Depois de Tomás Correia sair em meados de dezembro, ocupará a liderança da AMMG o administrador Virgílio Lima.

(Notícia atualizada às 15h24)

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