Caixa vai extinguir imobiliária que teve perda de 40 milhões em Espanha

Banco público vai incorporar a Imocaixa na Caixa Imobiliário, prosseguindo a reorganização do grupo Caixa que foi negociado com Bruxelas. Imocaixa teve perda de 40 milhões com projeto em Espanha.

Em 2006, o banco espanhol da Caixa Geral de Depósitos (CGD) — que foi agora vendido ao Abanca — emprestou 55 milhões de euros à promotora Nozar para desenvolver um projeto imobiliário em Ajalvir, a 30 quilómetros de Madrid. Rebentou a bolha imobiliária em Espanha e a Nozar foi à falência em 2009. Para resolver o incumprimento da dívida, o banco adquiriu os terrenos através da sua sociedade Imocaixa. Só que os ativos foram comprados por um preço acima do real valor de mercado, o que obrigou o banco a fazer uma imparidade de 40 milhões. Agora, para responder ao pedido de simplificação do grupo das autoridades europeias o banco público vai extinguir a Imocaixa, incorporando-a na Caixa Imobiliário.

A história do investimento em Espanha vem no relatório preliminar da EY. Quando se decidiu o empréstimo, não se sabia se a Nozar — que chegou a ser uma das grandes promotoras espanholas — poderia desenvolver um projeto imobiliário naqueles terrenos em Ajalvir. Mesmo depois da falência da promotora espanhola, quando o banco ficou com os terrenos, estava em curso uma revisão do Plano Territorial de Ajalvir, para alterar a classificação do terreno de rústico para urbanizável. “Nunca se verificou qualquer alteração na classificação” desde então. E, por isso, “a CGD teve de reconhecer uma imparidade no valor de 39,9 milhões”, assinala o relatório da EY aos atos de gestão entre 2000 e 2015.

Atualmente, a Imocaixa — que foi constituída para gerir imóveis, sobretudo aqueles que resultem do reembolso de um crédito concedido pela CGD — tem zero trabalhadores e ativos avaliados em seis milhões de euros. São 19 imóveis em Portugal e os 63 terrenos em Ajalvir herdados pelo empréstimo.

Em 2017, foi feita uma nova avaliação a estes ativos: 4,4 milhões de euros. A avaliação que tem como pressuposto de que o plano territorial não será alterado, ou seja, não se poderá construir naqueles terrenos. “Pelo que haverá necessidade de reforço do valor da imparidade”, sublinharam os auditores da EY. Ou seja, a perda será hoje superior aos 40 milhões.

Cortar custos e otimizar recursos

A CGD vai agora proceder à fusão da Imocaixa na Caixa Imobiliário, a sociedade do banco do Estado para a aquisição de bens imóveis para revenda, promoção imobiliária e arrendamento. Atualmente, a Caixa Imobiliário tem 57 milhões de euros e gere um ativo de 112 milhões de euros. Vai incorporar o património da Imocaixa. A decisão foi tomada este mês.

“A presente fusão faz parte do processo de reorganização societária do Grupo CGD, o qual se enquadra no plano estratégico acordado entre o Estado português e a Comissão Europeia, e tempo por objetivo a simplificação da estrutura societária do Grupo CGD, através da redução do número de sociedades que são instrumentais à sua atividade”, lê-se no projeto de fusão aprovado em 16 de outubro.

Com a operação a CGD vai concentrar numa única entidade (a Caixa Imobiliário) o desenvolvimento das atividades atualmente dispersas na Imocaixa, esperando assim “alcançar maiores níveis de competitividade através da otimização de recursos e consequente redução de custos, designadamente de estrutura”. Designadamente, a fusão “eliminará a duplicação de obrigações e de custos de natureza legal, fiscal, operacional, financeira, burocrática e de contexto”.

No fundo, o banco vai “eliminar estruturas supérfluas e geradoras de custos para o consolidado do Grupo CGD“, assinala no projeto de fusão que terá efeitos a 1 de janeiro de 2019.

A CGD registou lucros de 417,5 milhões de euros no primeiro semestre, impulsionado pela venda do banco em Espanha. Paulo Macedo volta a apresentar contas no próximo dia 5 de novembro.

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