Caixa vai criar “super” gestora com 24 mil milhões em ativos

Banco público vai fundir a Caixa Gestão de Ativos e a Fundger. Quer criar uma gestora com "dimensão relevante", mais competitiva e "com benefícios claros para os aforradores e o país".

Apresentação dos resultados da CGD no 1o trimestre de 2019 - 02MAI19
Paulo Macedo continua a reorganizar grupo CGD.Hugo Amaral/ECO

A Caixa Gestão de Ativos já é a maior gestora de fundos de investimento no mercado português. Mas vai ficar ainda maior com a incorporação de outra gestora da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a Fundger. A fusão entre as duas sociedades dará lugar uma “super” gestora que vai passar a gerir quase 24 mil milhões de euros em ativos mobiliários e imobiliários.

O banco público prossegue a reorganização da sua estrutura com a fusão e extinção de empresas e sociedades: quer ser mais simples e menos pesado. Agora, prepara-se para unir as duas sociedades gestoras de ativos com a transferência do património da Fundger – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário na Caixa Gestão de Ativos – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento através de uma fusão de por incorporação. Se tudo correr bem, fica fechada ainda este ano e com efeitos a 1 de janeiro de 2019. Mas pode derrapar para 2020.

“A projetada fusão permitirá racionalizar a estrutura organizacional e de administração das sociedades, representando assim mais uma etapa no âmbito da racionalização e simplificação das sociedades gestoras de fundos de investimento”, justifica a CGD no projeto da operação.

Com quase 23 mil milhões de euros em ativos sob gestão, a Caixa Gestão de Ativos é líder do mercado de fundos de investimento mobiliário com uma quota de mercado de 34%, segundo dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) relativos ao segundo trimestre. Já a Fundger tem mais de 800 milhões de euros em ativos imobiliários sob gestão, com uma quota de 7,6%.

Uma super gestora é boa para o país

Como resultado da fusão, a CGD vai criar “uma sociedade gestora de ativos com dimensão relevante“, assinala-se o projeto da fusão. A nova gestora terá “uma estrutura de gestão única” que vai simplificar “os processos de tomada de decisão” e otimizar “a estratégia de abordagem a segmento de mercado em que cada uma das empresas individualmente tem mais experiência”.

“A sociedade resultante da fusão será mais sólida e sustentável e mais preparada para responder aos desafios do futuro”, frisa ainda o banco, sublinhando que permitirá ainda a integração e convergência da oferta de produtos e serviços. “A conjugação dos negócios determinará assim o aumento da capacidade competitiva, gerando mais concorrência no mercado de gestão de ativos, que se pretende dinâmico e inovador, com benefícios claros para os aforradores e para o país“, indica o projeto de fusão.

A fusão encontra-se dependente da autorização do Banco de Portugal. Se o supervisor bancário der luz verde até final deste ano, os efeitos da fusão aplicam-se a partir de 1 de janeiro de 2019. A partir de 2020 terá de ser a CMVM a autorizar e, nesse caso, a operação só ficará concluída no próximo ano.

A CGD registou lucros de 417,5 milhões de euros no primeiro semestre, impulsionado pela venda do banco em Espanha.

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