Caixa paga juro a rondar 1,5% para emitir 500 milhões em dívida

A Caixa está no mercado para se financiar em 500 milhões de euros em títulos de dívida sénior não preferencial a cinco anos. Deverá pagar uma taxa de juro a rondar os 1,5%.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem de emitir 2.000 milhões de euros em dívida sénior nos próximos anos para cumprir com as exigências regulamentares. Já começou a percorrer este caminho: está no mercado para se financiar em 500 milhões de euros em títulos de dívida sénior não preferencial com a maturidade de cinco anos. O banco público deverá pagar uma taxa de juro a rondar os 1,5%.

Esta taxa de 1,5% resulta da soma de um prémio de 175 pontos base com a taxa de juro do mercado a cinco anos (taxa mid-swap do euro), que negoceia esta segunda-feira em -0,2076%, segundo adianta a Bloomberg, citada pelo Jornal de Negócios.

A operação marca o início de uma série de emissões de dívida subordinada que a CGD terá de realizar até ao final de 2022 no âmbito do chamado requisito de MREL (requisito mínimo de fundos próprios e créditos elegíveis), que obriga os bancos europeus com importância sistémica a constituir uma almofada financeira adicional para fazer face a eventuais dificuldades. O objetivo é fazer com que os bancos tenham capacidade de absorver perdas e evitar a ajuda dos contribuintes.

No caso da CGD, o banco vai ter de emitir cerca 2.000 milhões de euros em dívida sénior preferencial e sénior não preferencial até final de 2022, o que é “perfeitamente acomodável” com os planos da instituição, disse Paulo Macedo em julho, aquando da apresentação dos resultados semestrais.

Para esta emissão, o banco público conta com a ajuda do CaixaBI, HSBC, Morgan Stanley, NatWest Markets e Société Générale. Isto depois de um roadshow que teve lugar na semana passada em Londres e Paris. Segundo adiantou a Bloomberg, os títulos de dívida receberão uma notação financeira de Ba2 da Moody’s, BB+ da Fitch e BBB Baixo da DBRS.

Em julho, o administrador financeiro da CGD, José de Brito, referiu que o banco “facilmente” cumprirá este requisito regulatório, mas sublinhou que “será um peso adicional para a margem financeira”. “Na prática é uma operação que não precisamos”, disse o CFO do banco do Estado em julho, tendo frisado que a situação de solidez da instituição é forte.

A CGD atingiu um lucro de 640 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Vai distribuir um dividendo de cerca de 300 milhões ao Estado.

(Notícia atualizada às 10h35)

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