Isabel dos Santos acusa serviços secretos angolanos de invadirem computadores em Portugal

  • ECO
  • 6 Janeiro 2020

Empresária vai contestar arresto de bens em tribunal, mas diz ter pouca fé na justiça já que acusa o Estado angolano de ter forjado provas.

A empresária Isabel dos Santos vai contestar judicialmente a decisão do Tribunal de Luanda de arresto de bens. Em entrevista telefónica ao Financial Times (acesso condicionado), a empresária angolana e filha do antigo presidente Eduardo dos Santos afirmou ter sido alvo de invasão de privacidade para a falsificação de provas.

O Tribunal Providencial de Angola ordenou o arresto preventivo de bens de Isabel dos Santos, do marido Sindika Dokolo e do gestor Mário Silva. Em causa estão contas bancárias e participações no banco BIC, na Unitel, no banco BFA, na ZAP Media, na Finstar, na Cimangola, na CONDIS, na Continente Angola e na SODIBA.

A empresária afirmou que vai defender-se nos tribunais angolanos, apesar de dizer que tem pouca fé no sistema judicial, em declarações ao FT. Segundo a angolana, os serviços secretos angolanos usaram hackers para entrar nos servidores dos computadores que tem em Portugal para “forjar e falsificar provas”.

O arresto tem por base uma acusação do Estado angolano, que reclama o pagamento de empréstimos feitos quando Isabel dos Santos era presidente da Sonangol e o pai José Eduardo dos Santos era presidente do país. E alega que a empresária está a tirar negócios do país.

Isabel dos Santos defendeu que o processo é uma “caça às bruxas com motivações políticas” e acrescentou, ao FT: “toda a nossa família sabe que o presidente [João] Lourenço está numa luta contra o anterior presidente dos Santos“. Negou ainda ter transferido 10 milhões de dólares para a Rússia (uma transação que terá sido travada pela Polícia Judiciária portuguesa) ou estar a tentar vender a sua participação na Unitel a um investidor árabe como alega o Tribunal.

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