Exportações fracas atiram produção automóvel alemã para mínimos de 23 anos

  • ECO
  • 7 Janeiro 2020

Embora o país seja reconhecido como potência mundial na produção automóvel, as preocupações com a poluição, os conflitos comerciais e as economias em desaceleração pesaram na procura.

A produção automóvel alemã está em mínimos de 23 anos, um desempenho que se deve às fracas exportações, diz a Bloomberg (acesso condicionado, conteúdo em inglês). Este cenário acontece numa altura em que a economia da Alemanha está a ser prejudicada pelas tensões comerciais, com os maiores fabricantes a produzirem números bastante baixos de automóveis.

É preciso recuar quase um quarto de século para encontrar níveis de produção automóvel tão fracos como agora. Fabricantes como a Volkswagen, BMW e Daimler produziram 4,66 milhões de veículos nas fábricas alemãs no ano passado, o número mais baixo desde 1996. De acordo com a Bloomberg, assistiu-se a uma queda de 9%, resultado da fraca procura por parte dos mercados internacionais.

Mas, para este ano, a indústria espera também tempos difíceis. A VDA – Associação Alemã da Indústria Automóvel estima que as entregas mundiais de automóveis caiam para 78,9 milhões de veículos, face aos 80,1 milhões entregues em 2019. Esta podem ser más notícias para as subsidiárias das empresas alemãs em Portugal, como a Autoeuropa (que, em 2019, registou novos recordes de produção) ou a Continental, assim como as empresas que fornecem peças para a indústria automóvel.

Embora a Alemanha seja reconhecida como uma potência mundial na produção automóvel, a verdade é que as preocupações com a poluiçãointensificadas pelo escândalo do dieselgate –, os conflitos comerciais e as economias em desaceleração pesaram na procura, diz a agência de notícias. A Daimler, a Volkswagen e a fornecedora de peças Continental estão mesmo a cortar nos postos de trabalho para reduzir os custos.

Ao mesmo tempo, o setor precisa de gastar milhares de milhões de euros para desenvolver veículos mais sustentáveis, recursos autónomos e combater o aparecimento de empresas de partilha de viagens, como a Uber, que tem um valor de mercado equivalente ao da Daimler. Este cenário traz também consequências para Portugal, uma vez que cá, em Palmela, está instalada a fábrica de uma subsidiária da Volkswagen — a Autoeuropa.

Em termos de mercado interno, este cresceu 5% no ano passado, depois de os compradores terem adquirido 3,6 milhões de automóveis, o número mais elevado desde 2009, segundo a VDA, citada pela Bloomberg. No entanto, a entidade acredita que o mercado vai contrair-se este ano, prevendo que as perdas dos postos de trabalho se irão acentuar devido à transição para veículos elétricos, que requerem menos peças e menos trabalho.

Recentemente, a Alemanha voltou a liderar o mercado de veículos elétricos da Europa — uma distinção que lhe tinha sido retirada pela Noruega –, vendendo 63.281 automóveis no ano passado, de acordo com os dados da Autoridade Federal dos Transportes da Alemanha (KBA).

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Exportações fracas atiram produção automóvel alemã para mínimos de 23 anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião