Uber e empresas de transporte interessadas em táxis fluviais entre Lisboa e a margem Sul

  • Lusa
  • 8 Janeiro 2020

Empresas como a Uber e plataformas de táxis estão entre as que já manifestaram interesse em ter pequenas embarcações de transporte de passageiros sem hora marcada entre Lisboa e a margem sul do Tejo.

Empresas como a Uber e plataformas de táxis estão entre as que já manifestaram interesse em ter pequenas embarcações de transporte de passageiros sem hora marcada entre Lisboa e a margem sul do Tejo, segundo um projeto apresentado esta quarta-feira.

O projeto de criação da Rede Cais do Tejo sairá de uma proposta concreta a apresentar à Câmara Municipal de Lisboa (CML) pela Associação de Turismo de Lisboa (ATL) até ao final de março, que deve incluir um plano de negócios e uma proposta de financiamento e calendarização, segundo o protocolo assinado.

“Aqui o conceito é o mais importante, que é nós virmos a dispor nas margens Norte e Sul do Tejo de condições para que os operadores possam desenvolver os seus vários tipos de negócios e as suas ideias, porque todos nós dizemos há muitos anos que o Tejo tem um potencial enorme, mas que não é aproveitado suficientemente. Isso é verdade”, disse Vítor Costa, diretor da ATL.

A vereadora Teresa Leal Coelho, de quem partiu a ideia, disse esperar, no próximo verão, já ir de barco táxi até à praia de São João, na Costa de Caparica, a partir de Porto Brandão, mas Vítor Costa não se compromete com uma data, porque o processo de recuperação dos cais deverá ser progressivo, já que nalguns serão necessárias pequenas intervenções e noutros obras de fundo.

No que ambos concordam é que já existem muitas manifestações de interesse de empresários.

“Já temos interessados. Já tivemos uma primeira conversa com a Uber, que, depois de reuniões internas, nos manifestou a disponibilidade para criar a plataforma. É uma coisa simples. O modelo está criado e só adaptá-lo para os transportes fluviais. Também já tivemos manifestação de interesse de plataformas de táxis e depois serão aqueles que se vão inscrever com as suas próprias embarcações”, afirmou Teresa Leal Coelho.

Também Vítor Costa realçou que a ideia levou a bastantes manifestações de interesse por parte dos associados da ATL nesta área.

“A vários níveis. São projetos de desenvolvimento das operações ou de passeios ou de táxis-barco. Já há algumas ideias, mas nós [a ATL] aqui não estamos a entrar num negócio. A nossa competência não é essa. A nossa intenção é criar condições para que os projetos se desenvolvam. São as empresas que vão fazer”, acrescentou.

“Até agora, quando alguém queria montar um negócio ligado, por exemplo, à marítima ou turística tinha que arranjar uma infraestrutura só para si (…) Aquilo que nós aqui estamos a ganhar é massa crítica. É utilizar [uma infraestrutura] por todos um pouco, como – mal comparado, dada a dimensão – uma slot no aeroporto, em que uma pista não é usada só por uma companhia, mas por todas. É isso que nós vamos fazer. Isso dá uma capacidade muito maior e baixa o custo de utilização”, explicou.

Na proposta que a ATL irá entregar à Câmara de Lisboa estará incluída também uma parte financeira. Ainda sem valores, nem percentagens de comparticipação, Vítor Costa salientou que “o Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa, que resulta das taxas turísticas, e também alguma parte do orçamento do Turismo de Lisboa, que depois vai ficar a coordenar” a rede, “certamente serão fontes que irão contribuir para esse projeto”.

O projeto Rede Cais do Tejo prevê a instalação, reabilitação, adaptação e utilização progressiva de 13 pontos e cais de acostagem para incentivar “a utilização do rio como meio de transporte público ou privado, turístico e de lazer, coletivo ou individual”.

A central da Rede Cais do Tejo será na Estação Sul e Sueste, no Cais de Lisboa, cujo projeto foi apresentado no final e novembro.

Estão previstos quatro cais principais: em Belém, Parque das Nações, Montijo e Cacilhas.

Estão ainda previstos um projeto especial para o Cais da Matinha e sete cais complementares no Cais do Gás, Alcântara, Ginjal, Trafaria, Porto Brandão, Seixal e Barreiro, acrescentou a autarquia.

Além da CML e da ATL, são parceiras neste projeto a Administração Porto de Lisboa e a Transtejo.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Uber e empresas de transporte interessadas em táxis fluviais entre Lisboa e a margem Sul

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião