“Privatização da ANA foi a mais danosa para o interesse público”

  • ECO
  • 18 Janeiro 2020

Ministro das Infraestrutura, Pedro Nuno Santos, diz que o Governo quer rever a comparticipação da ANA em alguns investimentos, como é o caso das acessibilidades.

O ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos adianta, em entrevista ao Expresso (acesso pago), que o Governo pretende que a ANA – Aeroportos de Portugal dê uma contribuição superior ao inicialmente previsto pelas acessibilidades ao aeroporto do Montijo. Aponta ainda o dedo à privatização da autoridade dos aeroportos que considera ter sido “danosa para o interesse público”.

Questionado sobre quanto é que o Estado vai gastar nas infraestruturas que terá de fazer para as ligações Montijo-Lisboa, Pedro Nuno Santos recusa-se a avançar com valores, lembrando que há uma verba para financiar as acessibilidades que é da responsabilidade da ANA, e a qual pretende negociar com a empresa.

“Queremos rever alguns aspetos, nomeadamente a comparticipação da ANA em alguns investimentos, como é o caso das acessibilidades”, diz, acrescentando que o objetivo é uma revisão em alta dessa contribuição. “Estamos a falar de uma empresa que desde que foi privatizada conseguiu realizar em receitas mais de mil milhões de euros do que esperava inicialmente”, frisa.

E nesse quadro, o ministro das Infraestruturas não revela pruridos relativamente ao negócio de privatização da ANA que apelida de “danoso” para os interesses do Estado. “Foi um péssimo negócio para o Estado. Foi a privatização mais danosa para o interesse público e não há forma mais doce de o dizer”, disse, acrescentando que “podemos estar a falar do negócio com a maior taxa de rentabilidade do país”.

O governante diz ainda que não abdicará de utilizar “todas as possibilidades que o Estado tem” no sentido de melhorar a posição do Estado na relação com a ANA. “A ANA tem de saber que na relação com o Estado português, desde que enquadrado na lei nacional, o Estado pode fazer o que entender”, frisa. Ainda assim, Pedro Nuno Santos lembra que a relação com a autoridade dos aeroportos “é saudável”.

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