BCE “não está contente” com Isabel dos Santos no EuroBic

Andrea Enria, presidente da supervisão bancária europeia, admitiu "não estar contente" com as diferentes regras de avaliação de idoneidade no setor da banca que existem na Zona Euro.

Andrea Enria, presidente do conselho de supervisão do Banco Central Europeu (BCE), “não está contente” com as diferentes regras de avaliação de idoneidade no setor da banca que existem na Zona Euro. Questionado sobre a polémica em torno de Isabel dos Santos, o italiano referiu que a “confusão legislativa” impede, muitas vezes, o supervisor europeu de fazer uma avaliação apropriada.

“Não estou muito contente, para ser honesto. Não é com o nosso desempenho ou do Banco de Portugal. Mas não estou contente com a relativa confusão na configuração legislativa. É muito difícil fazer um fit and proper de forma apropriada. É uma das áreas menos harmonizadas na União”, referiu Andrea Enria esta terça-feira, depois de questionado sobre a atuação dos supervisores que permitiu que Isabel dos Santos, por estes dias debaixo de fogo por causa do caso Luanda Leaks, fosse acionista de um banco europeu, designadamente do EuroBic, onde detém uma participação de 42,5% e que está agora à venda.

Enria explicou que esta “confusão” resulta do facto de ter de aplicar regras locais de cada Estado-membro naquilo que são as regras europeias. “Isto significa que podemos ter avaliações em alguns casos que não são positivas, mas não podemos fazer nada porque a legislação local não nos dá a ferramenta para intervir”, observou o responsável.

“Não estou contente com isso, de todo”, repetiu o italiano, que falava em conferência de imprensa para explicar os resultados da avaliação anual do BCE à solidez dos grandes bancos do euro.

"Não estou muito contente, para ser honesto. Não é com o nosso desempenho ou do Banco de Portugal. Mas não estou contente com a relativa confusão na configuração legislativa. É muito difícil fazer um fit and proper de forma apropriada. É uma das áreas menos harmonizadas na União.”

Andrea Enria

Presidente do conselho de supervisão do BCE

Andrea Enria lembrou que “em alguns países há a possibilidade de fazer avaliações ex-ante“, isto é, antes de o investidor entrar na estrutura de capital do banco. “Noutros apenas é possível fazer avaliações depois”, notou.

“Isto é algo que também não gostamos. Gostávamos de ter uma forma única de fazer avaliações, e poder fazer ex-ante para poder termos um filtro sobre quem vai para a estrutura de capital dos bancos e nas administrações dos bancos”, frisou.

Sem comentar o caso de Isabel dos Santos em concreto, o líder do supervisor acrescentou que avaliações de idoneidade a acionistas ou administrações de bancos não é um processo “estático”. “Quando há nova informação, devemos estar em posição para reavaliar os status dos acionistas e gestores e reconsiderar“, afirmou.

(Notícia atualizada às 11h32)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCE “não está contente” com Isabel dos Santos no EuroBic

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião