Bancos lucram 2,4 milhões de euros por dia em 2019

Novo Banco voltou a apresentar prejuízos acima dos mil milhões. CGD foi quem mais lucrou: 776 milhões. 2019 foi ano para limpeza de balanço e redução de atividade.

Os cinco principais bancos em Portugal lucraram 2,4 milhões de euros por dia em 2019, num ano em que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) viu os resultados dispararem com a venda de operações internacionais e o Novo Banco voltou a registar prejuízos acima dos mil milhões de euros. À exceção dos “espanhóis” Santander e BPI, o ano passado serviu sobretudo para limpar o banco.

No seu conjunto, CGD, BCP, Santander, BPI e Novo Banco tiveram lucros 874 milhões de euros, uma subida de 130% face a 2018. Mas este desempenho foi fortemente influenciado pelas contas do Novo Banco. Esta sexta-feira, António Ramalho anunciou prejuízos de 1.058,8 milhões de euros, impacto pela reestruturação e limpeza do legado do BES. Sem o Novo Banco, os quatros grandes bancos do sistema registaram lucros de 1.933 milhões de euros, o que representa uma subida de 8% em relação ao ano anterior.

Há fatores específicos que explicam os resultados de cada instituição. Por exemplo, o banco público viu o lucro disparar 57% para 776 milhões de euros no ano passado. Foi o melhor resultado em 12 anos para a CGD, à boleia sobretudo da venda dos bancos em Espanha e África do Sul. Por outro lado, o resultado líquido do BPI caiu 33% para 328 milhões de euros, explicado também por fatores não recorrentes — em 2018, tinha registado um lucro de 491 milhões por causa da venda do negócio de cartões e da posição na Super Bock (Viacer).

Com o Banco Central Europeu (BCE) a pressionar o negócio bancário, a margem financeira (diferença entre juros cobrados e os juros pagos) subiu quase 4% para 1.500 milhões de euros, com o BCP (8,7%) e o Novo Banco (19%) a registarem subidas expressivas. As comissões líquidas também subiram à volta de 2%. É um tema que tem preocupado o Parlamento, que se prepara para aplicar um travão às intenções dos bancos. As receitas líquidas com comissionamento ascenderam a 2.156,4 milhões de euros.

Os bancos estão contra a iniciativa legislativa que visa impor restrições na política de comissões bancárias. Sobre este assunto, Miguel Maya, presidente do BCP, lembrou que quando vamos ao restaurante, se nos oferecem o prato com entradas, sabemos que vamos pagar depois no prato principal ou na sobremesa, isto para lembrar que se há um serviço, ele tem de ser pago. António Ramalho (Novo Banco) diz que “de boas intenções está o inferno cheio” e alertou para a redução da qualidade do serviço.

No lado do balanço, o crédito a clientes decresceu no conjunto dos cinco bancos 0,6%, com o stock a quase estabilizar nos 194 mil milhões de euros. Os depósitos subiram 5% para 211,5 mil milhões de euros. O BCP, com a aquisição do EuroBank na Polónia, desempenhou um papel relevante: impediu a quebra maior nos empréstimos (que continua a ser pressionado sobretudo pelas vendas de carteira de malparado no setor) e contribuiu para o aumento dos depósitos.

No que diz respeito à qualidade dos ativos, 2019 foi ano de limpezas de balanços, em cumprimento das exigências dos reguladores. A CGD baixou o rácio de ativos não produtivos (NPE) de 6,7% para 3,9%, enquanto o BCP reduziu o rácio NPE de 7,6% para 5,3%. Os rácios mais baixos são do BPI (2,5%) e Santander (3,3). No Novo Banco, o rácio de NPL (crédito malparado) caiu para metade, baixando de 22,8% para 11,2%.

Além disso, os bancos voltaram a ficar mais pequenos em termos de agências e trabalhadores: foram eliminados 919 postos de trabalho e 95 balcões naquilo que é a atividade doméstica dos bancos. O BCP foi a exceção: registou a entrada de 109 novos colaboradores.

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