Caixa lucrou 776 milhões em 2019. É o melhor resultado em 12 anos

No ano em que acelerou o plano de alienações de ativos não estratégicos, o resultado líquido do banco disparou para 776 milhões de euros, que compara com os 496 milhões registados em 2018.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) lucrou 775,93 milhões de euros em 2019. No ano em que vendeu um pouco de tudo o que não é estratégico — foram alienados bancos em Espanha e África do Sul, venderam-se imóveis emblemáticos como o quarteirão na baixa lisboeta e shoppings –, os lucros subiram 56,5% em comparação com os 496 milhões registados em 2018.

Este é o melhor resultado líquido do banco público desde 2007, quando alcançou um lucro de 856 milhões de euros, de acordo com os dados divulgados em comunicado, na véspera de Paulo Macedo completar três anos na liderança do banco.

Num relatório submetido à CMVM, o banco justifica parcialmente o bom desempenho anual com “o resultado extraordinário de 144 milhões de euros” relacionado com a venda de subsidiárias internacionais, nomeadamente o Banco Caixa Geral (em Espanha) e o Mercantile (em África do Sul). Estas vendas permitiram à CGD a “reversão de imparidades” que tinham sido constituídas em 2017.

Mas não foi só com resultados não recorrentes que a CGD melhorou as contas. O negócio bancário da CGD em Portugal e no estrangeiro também contribuíram de forma significativa para este desempenho: “O resultado líquido corrente da atividade doméstica atinge 449 milhões de euros” em 2019, destaca a CGD no documento, uma subida de 48% face a 2018. Na atividade internacional, o crescimento foi menor, ainda assim de 19%, segundo o banco.

No ano em análise, a CGD viu os depósitos de clientes crescerem 4,9%, para 65,71 mil milhões de euros. Para o banco, esta evolução positiva significa “confiança e vinculação” por parte dos clientes e foi fator relevante na “manutenção das quotas de mercado e da liderança em Portugal”.

No plano do crédito, “o crédito a clientes bruto reduziu-se 7,9% face a 2018, para 50,12 mil milhões de euros, com o crédito a empresas e a particulares da atividade da CGD Portugal a registarem variações de -2,1% e -3,6%, respetivamente, refletindo o esforço de redução do stock de NPL [non-performingloans] em 2,6 mil milhões de euros”, refere a nota. O banco destaca, contudo, a concessão de crédito a empresas em Portugal, excluindo construção e imobiliário, que aumentou 6,7%.

Quanto ao crédito à habitação, numa altura de boom no mercado imobiliário, “aumentou 33%” em 2019 face ao ano anterior, “reforçando o papel de liderança da CGD enquanto principal banco no segmento de particulares”.

A CGD destaca, por fim, a “melhoria do nível da qualidade de ativos com o rácio de NPL a atingir 4,7%. A empresa de capital público refere que esta evolução lhe permitiu convergir “para a média dos bancos europeus”, mantendo um rácio de NPL líquido de imparidades em 1,1%, segundo a informação revelada esta sexta-feira.

Desde há três anos que CGD está obrigada a emagrecer por imposição da recapitalização acordada com Bruxelas, envolvendo um aumento de capital da CGD em cinco mil milhões — incluindo a injeção de 2,5 mil milhões de dinheiro fresco do Estado. Entre outros aspetos, a rigorosa dieta europeia tem passado por uma redução das operações internacionais e pela alienação de ativos imobiliários considerados não estratégicos.

Evolução dos resultados da Caixa desde 2007

Fonte: Relatórios e contas da CGD.

Espanha e África do Sul rendem 600 milhões

O ano passado começou com alienações de dois imóveis localizados na capital portuguesa: o Green Park, onde está a Maló Clinic, foi vendido por 25 milhões de euros aos espanhóis da Incus Capital, e o quarteirão na Rua do Ouro, em plena baixa pombalina, foi comprado pelo grupo hoteleiro Sana, por 60 milhões, à boleia do boom do turismo e da valorização do mercado imobiliário — neste último caso, Paulo Macedo revelou que imóvel gerou uma mais-valia de 36 milhões de euros após impostos.

Meses mais tarde foram vendidos o Banco Caixa Geral, em Espanha, e o Mercantile Bank, na África do Sul. O banco espanhol foi vendido por 384 milhões de euros aos espanhóis do Abanca. O banco sul-africano foi comprado pelo Capitec por 215 milhões de euros.

Há mais dois processos em curso: no Brasil, cujo vencedor entre o Banco Luso-Brasileiro, do grupo Amorim, o Banco ABC Brasil e o fundo Artesia será conhecido até final de fevereiro; e em Cabo Verde, nomeadamente o Banco Comercial do Atlântico. O impacto destas vendas só deverá ter reflexos nas contas de 2020.

(Notícia atualizada às 17h40)

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