FMI defende “resposta internacional coordenada” sobre Covid-19

  • Lusa
  • 9 Março 2020

O Fundo Monetário Internacional defende que os governos devem dar "uma resposta internacional coordenada" para atenuar o impacto económico do surto. Líderes europeus vão reunir em teleconferência.

Os governos devem dar “uma resposta internacional coordenada” para atenuar o impacto económico da epidemia de coronavírus, defendeu esta segunda-feira a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), sugerindo a adoção de medidas orçamentais, monetárias e financeiras “importantes”.

Para ajudar as famílias e as empresas afetadas, Gita Gopinath preconizou ajudas diretas e medidas de alívio fiscal.

Num texto divulgado pelo FMI, Gopinath sublinhou a importância de apoiar a economia durante a epidemia para manter “intacta a rede de relações económicas e financeiras entre trabalhadores e empresas, entre credores e devedores, entre fornecedores e utilizadores para permitir uma recuperação quando a epidemia desaparecer”.

A economista refere que o desafio é “impedir que uma crise temporária cause danos irreparáveis a pessoas e empresas devido a perdas de empregos e falências”.

Os custos humanos do coronavírus aumentaram “a um ritmo alarmante”, notou, acrescentando que o impacto económico é “já visível” nos países mais afetados.

Apontando o exemplo da China, Gopinath observou que se a baixa da produção é comparável à que foi registada no início da crise financeira mundial, em 2008, a diminuição no setor dos serviços “parece desta vez mais significativa”.

Gita Gopinath assinalou também que a economia tem-se ressentido dos esforços para conter a propagação da doença através de períodos de quarentena.

Do lado da procura, a perda de rendimentos, o medo do contágio e a intensificação da incerteza vai levar a uma diminuição dos gastos das famílias. “Pode haver despedimento de trabalhadores dado que as empresas não podem pagar os salários. Os efeitos podem ser particularmente graves em determinados setores, como o turismo e a hotelaria, como se tem visto no caso de Itália”, exemplificou.

“Os decisores devem adotar medidas importantes de ordem orçamental, monetária e financeira para ajudar as famílias e as empresas atingidas”, defendeu.

Líderes europeus em teleconferência para coordenar respostas

Também esta segunda-feira, o presidente do Conselho Europeu, Charles MIchel, anunciou que, “em breve”, os líderes da União Europeia (UE) se vão reunir através de teleconferência para coordenar as respostas ao novo coronavírus.

Vou promover, em breve, uma teleconferência dos membros do Conselho Europeu para coordenar os esforços da UE relativamente ao Covid-19”, anunciou Charles Michel através da sua conta oficial da rede social Twitter.

“Temos de cooperar para proteger a saúde dos nossos cidadãos”, adiantou.

Dados divulgados esta segunda-feira pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês) revelam que já existem 109.695 casos em todo o mundo de Covid-19, que pode provocar infeções respiratórias como pneumonia.

Na UE, o Estado-membro mais afetado é Itália, com 7.375 casos, seguindo-se França (1.126), Alemanha (902), Espanha (589), de acordo com o ECDC. Portugal tem 30 casos confirmados. Ao todo, o surto já causou 3.811 mortes em todo o mundo, a quase totalidade (3.122) na China, mas também em grande escala em Itália (366) e no Irão (194).

Também esta segunda-feira, o secretariado-geral do Conselho da UE anunciou medidas preventivas relativamente ao covid-19 para aplicar naquele organismo, à semelhança do já feito pelo Parlamento Europeu e pela Comissão Europeia, que já foram comunicadas aos delegados dos Estados-membros e produzem efeitos a partir desta segunda-feira.

Assim, ficou decidido que o número de reuniões do Conselho e das suas instâncias preparatórias e grupos de trabalho será reduzido, que a dimensão das delegações que participam em reuniões será limitada e ainda que todas as visitas de grupo e todas as formações não essenciais serão suspensas, anuncia o secretariado-geral do Conselho da UE em comunicado.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

FMI defende “resposta internacional coordenada” sobre Covid-19

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião