Razia nas bolsas. Lisboa afunda 5% para mínimos de 24 anos

Quinta-feira negra nas bolsas, depois de Donald Trump ter imposto restrições nos voos europeus para os EUA. Em Lisboa, novo afundanço de 5% atira PSI-20 para mínimos de mais de duas décadas.

As bolsas estão a viver novo dia de grande turbulência por causa do coronavírus. O Presidente norte-americano suspendeu todas as ligações aéreas com a Europa durante um mês, em mais um esforço para conter o novo vírus mas que trará consequências económicas indeterminadas. Em Lisboa, em novo afundanço de 5%, o PSI-20 cai vertiginosamente para mínimos de 24 anos.

O PSI-20 chegou a tombar mais de 6% para baixo dos 4.000 pontos.Há momentos seguia com perdas de 4,82% para 4.027,87 pontos, com todas as 18 cotadas a perder mais de 3%. Já cai mais de 20% desde o início do ano.

As grandes cotadas EDP, EDP Renováveis e BCP deslizam quase 5%, e são quem mais pressionam o índice de referência nacional. Isto enquanto a Jerónimo Martins e a Galp recuam cerca de 3,7%.

Os piores desempenhos em Lisboa pertenciam aos CTT e à Altri, com quedas abruptas de 7%.

PSI-20 em mínimos de 24 anos

Donald Trump anunciou a proibição, por 30 dias, de todos os voos de e para os países europeus que pertencem ao espaço Schengen.

“Para impedir que novos casos entrem no nosso solo, vamos suspender todas as viagens da Europa para os EUA nos próximos 30 dias”, anunciou o Presidente americano numa suspensão que arranca já à meia-noite desta sexta-feira e acontece numa altura em que os casos de coronavírus estão a aumentar de forma significativa no Velho Continente. Bruxelas já veio pedir a Washington para evitar uma disrupção económica com esta proibição. Entretanto, deste lado do Atlântico, Itália e Dinamarca já “fecharam” as fronteiras. A Organização Mundial de Saúde declarou estado de pandemia, com um novo vírus a espalhar-se à escala mundial.

O setor da aviação está sob alta pressão. O Stoxx 600 Travel & Leisure, que acompanha o desempenho de 17 ações ligadas ao setor das viagens e lazer, afunda 9,40% com a queda acentuada do preço dos títulos das principais companhias aéreas da Europa. A Lufthansa já esteve a cair 10% em Frankfurt. As duas principais low-cost, Ryanair e easyJet, recuam 7,53% e 7,14%.

Entre os principais índices, o Stoxx 600, que reúne as 600 maiores empresas do Velho Continente, servindo de referência, cai 5,99%. Praças como Frankfurt, Paris e Madrid também cedem mais de 5%.

Os olhos dos investidores vão estar agora colocados em Christine Lagarde e no que o Banco Central Europeu (BCE) irá fazer para travar uma maior transmissão dos efeitos da pandemia à economia.

(Notícia atualizada às 10h36)

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