Lucros dos CTT aumentam 36% com compra da 321 Crédito

O resultado líquido do grupo CTT aumentou 35,8%, para 29,2 milhões de euros. Os lucros foram impulsionados pela integração da 321 Crédito. Anunciou dividendo de 11 cêntimos por ação.

O lucro dos CTT CTT 1,30% cresceu 35,8% no ano passado, para 29,2 milhões de euros, um resultado líquido que foi impulsionado pela integração da 321 Crédito. Num relatório remetido à CMVM, o grupo refere que a compra desta empresa de concessão de crédito teve um contributo líquido de 7,6 milhões de euros para os lucros.

Com base neste resultado, os CTT anunciaram um dividendo de 11 cêntimos por ação, propondo-se a distribuir 16,5 milhões de euros pelos acionistas, o equivalente a cerca de 56% do total dos lucros (payout).

A integração da 321 Crédito não foi o único contributo extraordinário a impulsionar o resultado líquido anual. O reembolso de IRC pelo Fisco, resultante de uma decisão favorável relacionada com a venda da Tourline pela CTT Expresso à CTT, S.A. em 2016, também ajudou a companhia a registar estes lucros. A “ajuda” foi de mais 6,8 milhões de euros.

No ano passado, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) dos CTT cresceu 12,2%, para 101,5 milhões de euros. Além da integração da 321 Crédito, contribuíram para esta métrica o “aumento das margens operacionais das áreas de negócio dos Serviços Financeiros (mais 8,3 milhões de euros) e do Banco CTT (mais 3,5 milhões de euros)”, sublinha a empresa.

Em simultâneo, e ainda nesta vertente, estas melhorias “compensaram o decréscimo verificado nas áreas de negócio do Correio e Outros (menos 8,2 milhões de euros) e do Expresso e Encomendas (menos 5,6 milhões de euros)”, acrescenta ainda a empresa liderada por João Bento.

No plano das receitas, os rendimentos operacionais do grupo CTT cresceram 4,6%, totalizando 740,3 milhões de euros. Em termos absolutos, o Banco CTT e os Serviços Financeiros deram os contributos mais expressivos, mas também o negócio do Expresso e Encomendas, em que a empresa tem apostado de forma mais expressiva para fazer face à queda do tráfego do correio.

Este negócio, concretamente Correio e Outros, rendeu aos CTT 152,4 milhões (+2,4%), ainda que o correio continue a ser a principal fonte de receita para a empresa, totalizando 490,9 milhões de euros, uma queda de 1,6% face a 2018. No relatório, o grupo destaca uma queda de 9,1% no tráfego de correio endereçado, para 619 milhões de objetos, mas uma subida de 22% no tráfego publicitário não endereçado, para 521,4 milhões de objetos.

“A evolução do tráfego do correio transacional (-8,5%) continuou a ser afetada negativamente pelo decréscimo do tráfego de correio normal nacional, que apresentou uma queda de 42,6 milhões de objetos (-9,5%), sobretudo nos setores da banca e seguros, das telecomunicações e do Estado, mas também pelo correio azul, cujo tráfego diminuiu em 8,2 milhões de objetos (-31,2%)”, explicou a empresa no referido relatório.

Focando no desempenho do Banco CTT, a empresa destaca ter atingido as 461 mil contas abertas na instituição, mais 113 mil do que no final de 2018. Além disso, destaca “a continuação do crescimento dos depósitos de clientes” em 45,2%, para 1.283,6 milhões de euros, e do crescimento “da carteira de crédito habitação líquida de imparidades para 405,1 milhões de euros”, ou uma subida de 69,9%.

No período em análise, os gastos operacionais dos CTT aumentaram 3,4%, para 638,8 milhões de euros, uma subida que foi mais expressiva nos gastos com pessoal: aumentaram em 11,2 milhões de euros, ou 3,4%, para 344,1 milhões de euros.

A 31 de dezembro de 2019, os CTT registavam ainda uma dívida líquida de 60 milhões de euros, um aumento de 78,9 milhões de euros face aos -18,9 milhões reexpressos referentes ao ano de 2018.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h34)

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