CIP critica condicionante de apoios à manutenção de postos de trabalho. Está em causa sobrevivência das empresas

António Saraiva defende que só salvando as empresas se pode salvar os empregos. Já a CGTP considera que há um desequilíbrio aprovadas para as empresas e a proteção dos trabalhadores.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal é muito claro: “Só salvando as empresas é que podemos salvar os empregos”. Em declarações à RTP, António Saraiva critica a decisão do Executivo em fazer depender o recurso às linhas de crédito de três mil milhões de euros à manutenção de postos de trabalho.

“Não se pode inverter a ordem. E se o primeiro-ministro faz depender o apoio às empresas de não despedirem, como é que as empresas, que já fecharam portas, que não estão com faturação há duas semanas, vão estar no mínimo três meses com as portas encerradas, se não tiverem acesso a algum apoio, como é que os empresários, como é que esta micro realidade empresarial vai sobreviver?“, questiona o patrão dos patrões.

Já a CGTP considera que há um desequilíbrio entre o apoio às empresas e aos trabalhadores. “Consideramos que há um desequilíbrio muito grande entre as medidas que são aprovadas para as empresas e a proteção que é dada aos trabalhadores”, sublinhou Isabel Camarinha, em declarações à RTP. A secretária geral sublinha que a central sindical “considera que deve haver proteção total a todos os trabalhadores e que nesta fase não pode haver despedimentos”.

“Já estão a mandar trabalhadores embora, quando são trabalhadores temporários ou quando estão no período experimental”, alerta Isabel Camarinha insistindo que “é necessária fiscalização para impedir que as empresas cometam ilegalidades e abusos, como tem estado a fazer”, acusa.

Para os trabalhadores estas medidas são extremamente insuficientes, porque para os trabalhadores não lhes é garantido o rendimento total, que é o que a CGTP tem reafirmado desde o início. Nesta situação é necessário que as medidas garantam o rendimento total dos trabalhadores”, afirmou Isabel Camarinha, em declarações à Lusa. Isto porque as despesas nesta situação vão aumentar, ou pelo menos não diminuir, e muitos trabalhadores ficam com “um corte muito grande nos seus rendimentos se as medidas se mantiverem como estão anunciadas”, sublinhou.

António Saraiva considera que “não vale a pena anúncios de cariz político ou nem frases feitas, porque a realidade da vida suplanta qualquer marketing político”.

Em causa está o esclarecimento feito na noite de sexta-feira por António Costa relativamente às condicionantes de acesso às linhas de crédito. Depois de um conselho de ministros que se prolongou por diversas horas e um encontro com o Chefe de Estado, o primeiro-ministro anunciou um conjunto de medidas para garantir que as empresas consigam de “subsistir” à paragem forçada pela pandemia, os postos de trabalho que existem não desapareceram e os rendimentos da famílias não sejam “mais fragilizados”.

António Saraiva coloca também nas mãos da Europa uma resposta para o problema. “A Europa tem de encontrar um montante e reparti-lo entre os Estados membros que deles necessitam” e essa resposta tem de “ser expedita”. Para já, em cima da mesa está a possibilidade de uma eventual emissão de dívida conjunta ao nível da União Europeia para estimular a recuperação económica. Uma ação defendida pelo primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e apresentada aos restantes líderes europeus no Conselho realizado na passada terça-feira. Em causa estão as eurobonds uma mutualização da dívida dos países europeus, para a qual potências como a Alemanha já manifestaram alguma abertura.

(Notícia atualizada às 19h46 com novas declarações de Isabel Camarinha à Lusa)

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