Santander com “produtividade nunca vista”. Castro e Almeida está “sempre ligado”

Pedro Castro e Almeida conta como é gerir em casa um dos maiores bancos em Portugal. Está sempre ligado, embora procure equilibrar com a vida familiar. Produtividade subiu mesmo em telebrabalho.

O Santander sabe muito bem o poder do novo coronavírus. O Covid-19 também levou um dos seus. No passado dia 18 de março, António Vieira Monteiro tornou-se na segunda vítima mortal do novo vírus. Vieira Monteiro foi quem mais ajudou no crescimento do banco em Portugal, hoje em dia um dos maiores do país. É em sua honra e memória que o Santander procura agora seguir em frente, dar continuidade ao seu legado e ajudar famílias e empresas a superar crise da pandemia.

As novas circunstâncias trouxeram uma “estranha forma de trabalhar”, mas o banco não tem descansado no sentido de apoiar a economia, adianta Pedro Castro e Almeida à rubrica do ECO “Gestores em Teletrabalho“.

Nas últimas semanas, o CEO do Santander Portugal tem trabalhado a partir de casa, assim como outros tantos trabalhadores do banco. Diariamente, são realizadas cerca de 10 mil videoconferências. Outros 2.000 trabalhadores continuam na linha da frente, ao balcão, mantendo as portas do banco abertas todos os dias.

É neste contexto que o Santander tem procurado afinar novos modelos e processos. Para já, a resposta de todos tem sido boa e tem dado frutos. “Estamos a trabalhar incansavelmente, e com níveis de produtividade nunca vistos no Santander. É uma afirmação bem representativa do espírito de missão como estamos a viver este momento”, explica. Pedro Castro e Almeida está “orgulhoso com a atitude” dos trabalhadores.

"Estamos a trabalhar incansavelmente, e com níveis de produtividade nunca vistos no Santander. É uma afirmação bem representativa do espírito de missão como estamos a viver este momento.”

Pedro Castro e Almeida

CEO do Santander Portugal

Foi este espírito de missão que permitiu, por exemplo, que o banco conseguisse disponibilizar em tempo recorde o pedido de moratória de crédito. Já foram concedidas mais de 70 mil moratórias no valor de 7,5 mil milhões de euros, segundo revelou Castro e Almeida há dias no Parlamento. É um mecanismo que permite que famílias e empresas possam adiar o pagamento das prestações para quando a fase mais aguda da crise passar.

Também houve um cuidado especial com as empresas, muitas das quais viram os seus negócios na vertigem do encerramento perante o encerramento da economia. O banco não teve mãos a medir e falou com todos os seus clientes empresariais para perceber como poderia ajudar para enfrentar a crise. “Foram 150.000 contactos no espaço de poucos dias, com testemunhos dramáticos e com o pronto apoio do banco”, revela Castro e Almeida.

O banco também tem agilizado os processos de financiamento às empresas. Na linha Capitalizar 2018 – Covid-19, o banco liderou o número de operações colocadas. “Não existe em Portugal nenhum banco que tenha uma quota maior do que o Santander neste tipo de apoio aos clientes”, refere.

Sensação de estar sempre “ligado”

O trabalho em casa cria a ilusão de que podemos estar mais perto da família. Mas o efeito pode ser precisamente contrário em muitos casos: tende-se a trabalhar mais horas no conforto do lar, dedicando-se menos tempo à vida pessoal.

Não surpreende que a gestão de um grande banco exija horas e horas de dedicação e disponibilidade de um CEO. Se isto já seria de esperar num dia normal, agora, em tempos de pandemia, as 24 horas que levam um dia a passar parecem não chegar para lidar toda a incerteza do amanhã.

Pedro Castro e Almeida sente o mesmo. “Dentro do possível, tento que o teletrabalho não me absorva totalmente, até porque temos a sensação que estamos sempre ligados. E no final do dia estamos”, diz. Embora em casa, mantém o contacto constante com todas as áreas do banco. Isto significa várias reuniões por videoconferência ao longo do dia ou simples telefonemas para ficar atualizado em relação a um determinado tema urgente.

Qual é a solução para não acabar absorvido pelo trabalho? “Manter um certo equilíbrio entre a minha vida profissional e a vida familiar. Algo que já acontecia antes. Privilegio o tempo de qualidade com a minha família. Privilegio o debate diário dos temas com que somos confrontados”, conta Castro e Almeida.

Dentro do possível, tento que o teletrabalho não me absorva totalmente, até porque temos a sensação que estamos sempre ligados. E no final do dia estamos.

Pedro Castro e Almeida

CEO do Santander Portugal

“Bancos serão dos setores mais afetados por esta crise”

Aos bancos tem-se pedido que assumam um papel importante na crise económica que a abertura gradual da economia vai agora destapar. Mas também eles sabem que acabarão por vir a pagar a fatura da recessão que se avizinha. O Banco Central Europeu assume uma quebra do PIB que poderá ser superior a 10%.

No caso do Santander, a resposta inicial passou por aqui. Manteve o salário por inteiro todos os colaboradores, incluindo o subsídio de refeição. Da mesma forma, manteve todos os estagiários, potencialmente dos grupos etários de maior risco na crise económica. “Assumimos o compromisso de não haver lay-offs, nem perda de salários por causa do Covid19”, diz Castro e Almeida.

Os clientes podem beneficiar das moratórias e de linhas de crédito, sendo que o banco também cortou a zero as comissões de transferências pelos meios digitais, bem como a mensalidade dos terminais de pagamentos (POS) para pequenas e médias empresas. Aos 4.500 fornecedores o banco passou a pagar a pronto, quando dantes fazia o pagamento a 30 dias. Não quer que lhes falte liquidez.

Também se contam outras iniciativas solidárias. Por exemplo, foram alocados 2,7 milhões de euros para a compra de ventiladores, material hospitalar e de proteção para quem está na linha da frente da pandemia.

Na verdade, a resposta do Santander é também aquela que todo o setor financeiro tem procurado dar nas primeiras semanas de impacto severo da crise de saúde pública. Os bancos sabem que quanto melhor estiver a economia, menos sofrerão eles próprios com a crise.

“Os bancos serão dos setores mais afetados por esta crise. A banca é um setor pró-cíclico. É expectável que as receitas desçam fortemente com a recessão, e o custo do risco, ou seja as suas provisões, aumentem também de forma significativa”, explica Pedro Castro e Almeida. No Parlamento, já disse que se o Santander conseguir 50% do que pretendia para este ano já será um “excelente resultado”.

O mundo mudou inesperadamente e “toca a todos” os seus efeitos, diz o CEO do Santander Portugal. Ainda assim, Pedro Castro e Almeida revela otimismo para o futuro. “Vejo, não com espanto, que nos adaptámos rapidamente a uma nova situação. Há um grande espírito de sobrevivência, mas também um grande espírito de entreajuda. E posso constatar esta atitude no Santander”, considera.

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