Apostas online superam mil milhões. Este é o perfil do apostador

As apostas online ganham cada vez mais adeptos em Portugal. Quase metade dos jogadores preferem as apostas desportivas à cota, mas foram os jogos de fortuna e azar a gerar mais receitas.

Com as recomendações de confinamento e o encerramento temporário dos casinos, as pessoas foram forçadas a encontrar novas formas de entretenimento e lazer. As apostas online estão a ganhar balanço em Portugal e só no primeiro trimestre deste ano verificou-se um aumento de 50% no número de apostas, face ao mesmo período de 2019. O aumento é também justificado pelo facto de terem sido emitidas mais seis licenças a operadores. Mas, afinal, qual é o perfil dos apostadores?

Entre janeiro e março deste ano, foram efetuados 157,4 mil novos registos de jogadores, ou seja, mais 32,3 mil do que em igual período do ano passado (125,2 mil novos registos), segundo os dados recolhidos pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal (SRIJ). Em termos percentuais, isto significa um acréscimo de 25,8%, face ao período homólogo. Contas feitas, em Portugal há já 425,8 mil jogadores, cerca de mais 35 mil do que os registados no final ano passado (390,4 mil).

Quanto à distribuição de jogadores por faixa etária, continuam a ser os mais novos a ser os maiores apostadores, já que apenas 1% têm mais de 64 anos. Por outro lado, mais de metade têm entre os 25 e os 44 anos anos (62%) e 23,5% do total dos jogadores têm entre os 18 e os 24 anos. Se analisarmos exclusivamente os novos registos, quase dois terços (63,2%) têm menos de 35 anos.

Ao todo, os portugueses apostaram 1.109,9 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, isto somando o volume de apostas desportivas à cota (149,1 milhões de euros) com o de jogos de fortuna e azar (960,8 milhões). Trata-se do valor mais elevado de sempre, representando uma subida de 50% em termos homólogos.

Apostas desportivas são as preferidas dos apostadores. Futebol é “rei”

Apesar de a maioria das competições desportivas ter sido suspensa devido à pandemia de Covid-19, a apostas desportivas à cota continuam a ser as preferidas dos jogadores. Nos primeiros três meses de 2020, 41,2% dos apostadores fizeram exclusivamente apostas desportivas, 39,4% apostaram em jogos de fortuna e azar, e apenas 19,4% jogaram em ambas as categorias, revela o SRIJ.

Dentro das apostas desportivas à cota, o futebol continua ser a modalidade com mais adeptos, “representando 74,72% do total de apostas desportivas”, assinala o relatório. A Liga Portuguesa é a competição que angaria mais apostadores (15,2% do volume total de apostas), seguida da Premier Legue (7,9%) e da La Liga espanhola (7,1%). Já restantes modalidades, com o basquetebol, ténis ou até hóquei no gelo mobilizam apenas 22% do total de apostas desportivas.

Relativamente aos jogos de fortuna e azar, as apostas em jogos de máquinas representam mais de dois terços de todos os jogos realizados nesta categoria (69,79%). Segue-se as apostas em roleta russa (12,55%) e os jogos de póquer (11,30%).

Jogos de fortuna e azar geram mais dinheiro

Contudo, apesar de as apostas online serem mais apetecíveis para os jogadores, não foram as que geraram mais dinheiro para as entidades exploradoras, até porque a partir de finais de meados de março as competições foram suspensas, de forma a travar a propagação do Covid-19.

Entre janeiro e março, do volume total de 149,1 milhões de euros apostados pelos portugueses nas competições desportivas, os operadores obtiveram receitas de 34,5 milhões de euros, o que representa mais 9,7 milhões do que em igual período de 2019, período em que geraram 24,8 milhões.

os jogos de fortuna e azar geraram 35,3 milhões de euros em receitas brutas (de um total de 960,8 milhões apostados) durante o primeiro trimestre deste ano, ou seja, mais 12,8 milhões de euros face ao ano passado. Verifica-se que esta categoria foi beneficiada pela suspensão de competições desportivas já que, no primeiro trimestre de 2019, as receitas atingiam os 22,6 milhões de euros (menos 2,2 milhões do que as apostas desportivas).

Certo é que as apostas online têm vindo a ganhar cada vez mais adeptos em Portugal. O crescimento do setor permitiu que o Estado arrecadasse 20,8 milhões de euros em sede do Imposto Especial sobre o Jogo Online (IEJO), um crescimento de 41% (mais seis milhões de euros) face ao mesmo período de 2019.

No país, há já 13 entidades autorizadas a explorarem jogos e apostas online, mais três do que no ano anterior, e um total de 22 licenças emitidas, mais seis do que no final de março de 2019. Durante o estado de emergência, o acesso às plataformas de jogo online esteve limitado, por forma a evitar a adição ao jogo.

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