Lucro da Caixa cai 32%. Faz provisões de 60 milhões para a crise do coronavírus

A Caixa Geral de Depósitos registou lucros de 86,2 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, menos 32% do que no mesmo período do ano passado.

A Caixa Geral de Depósitos registou lucros de 86,2 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, menos 31,6% do que no mesmo período do ano passado, devido ao impacto da pandemia do novo coronavírus.

O banco público refere em comunicado que o resultado inclui o “reforço da imparidade de crédito e provisão para garantias bancárias no montante de 60 milhões de euros em antecipação dos efeitos expectáveis da crise económica”.

“O resultado reflete ainda os primeiros impactos económicos resultantes da pandemia Covid-19 que se começaram a sentir apenas na segunda quinzena de março. As medidas resultantes da
declaração de estado de emergência originaram uma redução da transacionalidade e da procura de crédito, quer por empresas, quer por particulares”, acrescenta a CGD.

Por causa do reforço de provisões e imparidades, o custo de risco de crédito atingiu 0,07%. Sem
este reforço, ter-se-ia mantido no mesmo valor de dezembro de 2019: -0,09%.

Na conferência de imprensa, Paulo Macedo revelou que sem o impacto da pandemia, a CGD teria registado um lucro “ligeiramente acima ou em linha com o do ano passado”, que foi à volta de 126 milhões.

Margem e comissões sob pressão

A margem financeira (juros recebidos menos juros pagos) continuou sob pressão dos juros baixos do Banco Central Europeu (BCE): caiu 7,3% para 262,8 milhões de euros.

Este mau desempenho que foi parcialmente compensado com o aumento dos resultados com comissões: aumentaram 4,1% para 122,5 milhões de euros. Mas expectativa de José de Brito, administrador financeiro do banco, é que as receitas com comissionamento venham também a estar pressionadas com a menor dinâmica de transações que a CGD já está a registar por causa da pandemia. Aliás, a CGD eliminou algumas comissões durante o surto do vírus.

Contas feitas, o produto global da atividade caiu quase 6% entre janeiro e março deste ano, para 426,6 milhões de euros.

Malparado cai 8 mil milhões desde 2016

No que diz respeito ao balanço da CGD a 31 de março, o crédito a clientes caiu 5,7% para 48 mil milhões de euros. “De referir que, influenciado pela conjuntura adversa no final do primeiro trimestre do ano, o ritmo de crescimento da nova produção registou um abrandamento”, diz o banco.

Já os depósitos (recursos de clientes) aumentaram 3,9% para 67,5 mil milhões de euros, “evolução essencialmente justificada pela captação da CGD Portugal”, explica.

O banco diz que parte para esta crise em melhor posição: de liquidez, de qualidade dos ativos e de rácios de capital.

O rácio de transformação de depósitos em crédito está nos 71,3%. O banco diz que continua sem financiamento do BCE, mas admite vir a recorrer ao banco central para “beneficiar de condições únicas do custo das linhas”. A primeira colocação do BCE realiza-se em junho e a CGD tem 18 mil milhões de euros de ativos elegíveis para poder concorrer a essas linhas.

No que toca ao rácio de malparado (NPL), atingiu os 4,5% no final de março, com o rácio líquido de imparidades se fixou nos 0,7%. O banco revela que a atuação no malparado levou a uma redução de oito mil milhões de euros (-76%) desde dezembro de 2016.

O rácio de capital total está nos 19,2%, um dos melhores em Portugal, sublinhou o CEO Paulo Macedo.

(Notícia atualizada às 18h00)

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