AIP lança plataforma de leilões digitais de eletricidade para PME

 Até agora já foram realizados 32 leilões na fase-piloto do projeto e.UTIL, com o arranque oficial da plataforma marcado para o primeiro semestre de 2020.

A união faz a força. Este é o mote da plataforma tecnológica de leilões digitais de eletricidade e.UTIL, lançada pela Associação Industrial Portuguesa (AIP) – Câmara de Comércio e Indústria, especialmente a pensar nas pequenas e médias empresas (PME). A ferramenta foi estreada em 2017 e esteve dois anos em testes que serviram basicamente para validar o processo administrativo dos leilões e também a tecnologia associada ao processo. Até agora já foram realizados 32 leilões na fase-piloto do projeto, com o arranque oficial da plataforma marcado para o primeiro semestre de 2020.

Com esta plataforma, o objetivo da AIP — que neste processo se aliou às empresas portuguesas Wattguard e Quantico Solutions –passa por aumentar a competitividade das PME na redução de custos, através da criação de um serviço de leilões digitais, destinado à aquisição agregada ou coletiva de utilities, onde se incluem os serviços de fornecimento de energia e gás, numa primeiro fase, evoluindo depois para as tecnologias de informação e comunicação, seguros e combustíveis.

Desde o início do ano, e já na fase final de experimentação, foram realizados cinco leilões de eletricidade que correspondem a 1,2 milhões de euros da fatura energética, com 7,7 GWh de consumo provenientes de 158 pontos de consumo. Em março e abril, já no período de estado de emergência, foram realizados três leilões de consumo exclusivos para Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que resultaram do protocolo assinado entre a AIP e a RNAE (Rede Nacional de Agência de Energia).

José Eduardo Carvalho, presidente da AIP, referiu, que “os três leilões de consumo de energia das IPPS, nesta fase difícil em que se encontram, atingiram uma redução média de 28%, 27% e 22% da fatura energética dessas entidades”. De acordo com a AIP, houve mesmo leilões em que as IPSS economizaram quase 100 mil euros de custos energéticos, em 30 ou 40 instituições, Sendo que vários desses leilões foram realizados em março e abril, em plena pandemia de Covid-19.

“Achámos que era possível aumentar a capacidade negocial das PME na aquisição de algumas utilities, como por exemplo a eletricidade. Há duas áreas que o associativismo empresarial tem dificuldade em trabalhar: na cooperação empresarial e no redimensionamento (fusões e aquisições) empresarial. Este é um projeto que se integra na primeira área”, disse também o presidente da AIP.

O projeto foi aprovado inicialmente pelo programa Compete, no âmbito do Portugal 2020, o que permitiu ir buscar inspiração e análise de benchmarking a partir de experiências semelhantes nos Países Baixos. Além disso, permitiu conceber a plataforma de leilões digitais com o apoio de uma empresa tecnológica portuguesa (Quantico Solutions); estruturar o complexo procedimento técnico e administrativo de acreditação das comercializadoras; levar a cabo a agregação de consumos; a constituição de lotes; e ainda a realização de leilões e respetiva contratualização.

Cunha Horta, responsável da AIP pelo projeto afirmou que “nesta fase de arranque deu-se prioridade à agregação dos consumos de eletricidade e respetivos leilões. No segundo semestre de 2020 os leilões serão alargados a outros serviços. O processo de adesão é muito simples. Basta as empresas inscrevem-se na plataforma fornecendo um conjunto de informação que permitirá agregar o consumo nos lotes a licitar”.

Alexandre Fernandes, da Wattguard, que também participou no projeto, salientou que a credibilidade do projeto se baseia na participação das principais comercializadoras de eletricidade. Desde a EDP, Endesa, GALP, Gás Natural Fenosa, Iberdrola, Gold Energy, até às comercializadoras mais pequenas, como é o caso da Elergone, Enforcesco, Lusíadaenergia, Luzboa, PH energia, Eco-Choice e Rolear, estão credenciadas e a maioria participou nos leilões já efetuados. Todas estas comercializadoras representam mais de 95% do mercado da eletricidade.

“Quando a plataforma entrar em velocidade de cruzeiro, no próximo ano, vamos ter um leilão por semana, com cerca de 25 a 50 empresas por lote, o que dá 15 mil empresas por ano. As empresas vão poder inscrever-se na plataforma para participarem nos leilões. Atualmente já há bastantes associados da AIP inscritos, mas todas as PME portuguesas se podem inscrever. Nos leilões, os fornecedores de eletricidade vão licitar lotes de pontos de consumo de várias PME. Assim, as empresas conseguem um preço mais baixo e os fornecedores aumentam a sua carteira de clientes”, explicou ao ECO/Capital Verde Cunha Horta.

Na visão do responsável da AIP pelo projeto, do lado das empresas de energia “houve uma perceção desde o início que isto era o futuro da negociação dos preços em Portugal. O leilão dá mais transparência e permite ver as estratégias da concorrência. Ganha o leilão quem oferecer o preço da eletricidade mais baixo”

Já Alexandre Fernandes, da Wattguard, reforçou que a grande vantagem desta plataforma é agregar necessidades de consumo das PME e criar lotes de consumo homogéneo. “Quando há um leilão de energia, juntamos no mesmo lote consumidores empresariais com as mesmas características, para que esse mesmo lote seja homogéneo na hora de um fornecedor tentar angariá-lo para a sua carteira de clientes. Hoje em dia a comercialização de energia esta totalmente liberalizada e operam no mercado português mais de duas dezenas de empresas. Na eletricidade a oferta é muito diversificada, há grandes e pequenas comercializadoras, que concorrem entre si ao mesmo patamar. As PME têm por isso uma dificuldade acrescida em escolher o seu fornecedor de energia. E não têm um simulador ao qual podem recorrer. Não é assim tão claro para as empresas qual é a melhor proposta e a melhor oferta. Daí a oportunidade para esta plataforma nascer como um local de encontro entre oferta e procura”, explica.

Outro desafio das empresas é que os seus perfis de consumo de energia são muito diferentes entre si: umas trabalham à noite, outras em dois ou três turnos. “A grande vantagem é que a plataforma e.UTIL agrega as empresas em termos de perfis de consumo. Ao fazer isso, uma PME que esteja num lote de 50 passa a ser para os fornecedores de energia uma grande empresa e assim tem maior poder negocial do que estando sozinhas. Conseguem ganhar escala e preços mais baixos pela energia que compram”, remata Cunha Horta.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

AIP lança plataforma de leilões digitais de eletricidade para PME

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião