Irlandês Paschal Donohoe vai suceder a Centeno na presidência do Eurogrupo

Mário Centeno anunciou nas redes sociais que a presidência do Eurogrupo ficará nas mãos do irlandês Paschal Donohoe. Assume liderança na próxima segunda-feira, dia 13 de julho.

Vai ser o irlandês Paschal Donohoe a suceder a Mário Centeno na presidência do Eurogrupo, anunciou o próprio ex-ministro das Finanças português no Twitter, esta quinta-feira. Donohoe assumirá a liderança do órgão informal na próxima segunda-feira, dia 13 de julho, e terá um mandato de dois anos e meio.

A espanhola Nadia Calviño era indicada como favorita, mas o irlandês acabou por ser eleito numa segunda ronda, depois do resultado da primeira ter sido inconclusivo. Além de Calviño e de Donohoe, estava na corrida ao lugar, até aqui ocupado pelo português Mário Centeno, o luxemburguês Pierre Gramegna, que desistiu ao fim da primeira ronda.

Paschal Donohoe é ministro das Finanças da Irlanda desde 2017. No Twitter, em reação à nomeação, Donohoe escreveu: “Estou profundamente honrado por ter sido eleito presidente do Eurogrupo. Espero poder trabalhar com todos os meus colegas no Eurogrupo durante os próximos anos para garantir uma recuperação justa e inclusiva para todos, enquanto enfrentamos os desafios que se nos deparam com determinação“.

Mário Centeno foi o primeiro português a presidir ao Eurogrupo, tendo cumprido o mandato de dois anos e meio, mas — à liderança do grupo informal dos ministros das Finanças da Zona Euro.

Antes de se focar no próximo desafio, como governador do Banco de Portugal, o economista português deixou um conselho ao sucessor: “Manter sempre os ministros das Finanças acordados” durante as reuniões, disse, numa entrevista à newsletter Brussels Playbook do Politico.

Numa reação publicada no Twitter, António Costa saudou “calorosamente Mário Centeno pelo seu trabalho no Eurogrupo” e considerou que a liderança do português “foi essencial à aprovação do pacote do Eurogrupo para responder a crise económica e social”. “Parabéns ao novo presidente Paschal Donohoe e felicidades para o seu mandato”, acrescentou o primeiro-ministro português.

Em busca de respostas para a crise

Numa conferência de imprensa ao final da tarde desta quinta-feira, pela voz dos protagonistas, a palavra de ordem foi a procura de soluções para a grave crise provocada pelo novo coronavírus. O novo líder do Eurogrupo, Paschal Donohoe, falou em compromissos com a procura de respostas por parte de todos os ministros das Finanças da Zona Euro.

“Durante as discussões com os meus colegas na campanha, fiquei tocado pela apreciação que todos os meus colegas tiveram do desafio e do compromisso que existe a nível nacional e nível europeu para assegurar que podemos pôr em marcha as decisões que são necessárias. Eu e todos os meus colegas vamos cumprir o nosso papel”, afirmou.

No horizonte está o Conselho Europeu marcado para o final da próxima semana, no qual estará mais uma vez em discussão o plano de recuperação proposto pela Comissão Europeia no valor de 750 mil milhões de euros, e que ainda não merece o consenso unânime necessário para avançar. Para Paschal Donohoe, ainda não deverá ser desta que haverá acordo, mas o novo líder do Eurogrupo espera que, no final, a reunião dê “linhas orientadoras a nível nacional e europeu em torno de saber como fazer progressos”.

Com ou sem plano, para já, os Estados-membros da Zona Euro continuarão a aplicar medidas orçamentais avultadas para puxar pela economia. De acordo com números revelados pelo comissário europeu Paolo Gentiloni, o “impulso orçamental” em 2020 deverá atingir os 3,5% do PIB da Zona Euro, “o maior esforço de estabilização dos últimos 20 anos”.

“A nossa previsão é que a política orçamental que tivemos terá um impacto positivo no PIB real em torno de cinco pontos percentuais em 2020. Noutras palavras, foi a coisa certa a fazer e ainda não estamos a incluir nesse impacto o nosso pacote de recuperação”, apontou o comissário.

Paschal Donohoe terá pela frente o papel de procurar facilitar o acordo para pôr o plano de recuperação em marcha, mas também de garantir que o grupo informal que agora preside continue a ter um papel relevante no contexto europeu.

(Notícia atualizada às 19h45)

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