EDP já está a olhar para projetos de hidrogénio lá fora. “Há um mundo de oportunidades”

A garantia foi dada por António Martins da Costa, administrador da EDP para a área da Sustentabilidade, em mais uma edição das Capital Verde Web Talks.

Além do mega projeto no valor de 1,5 mil milhões de euros para instalar em Sines uma central de produção de hidrogénio verde com 1 GW de capacidade instalada, em consórcio com a Galp, Martifer, REN e a dinamarquesa Vestas, a EDP não esconde que está já a analisar oportunidades e projetos para a produção deste gás descarbonizado do futuro noutras geografias onde marca presença.

No que diz respeito ao hidrogénio, Espanha, Itália, Reino, Unido, Polónia, Roménia e França são alguns dos países já na mira da EDP.Sines é um dos nossos muitos projetos em curso, onde estamos com outros parceiros. Mas a aposta no hidrogénio verde não se esgota em Sines. Há um mundo de oportunidades a explorar, que se estende até aos EUA e ao Brasil”, disse António Martins da Costa, administrador da EDP para a área da Sustentabilidade, ao ECO/Capital Verde, em mais uma edição das Capital Verde Web Talks.

Veja o vídeo da entrevista

Apesar de muito importante, Martins da Costa garante que o hidrogénio “não é a pedra principal” de um futuro mais verde. “Sempre dissemos que o caminho para uma sociedade mais sustentável do ponto de vista energético passa por uma maior eletrificação dos consumos, o que significa que a produção tem de ser 100% descarbonizada. Mas há atividades económicas onde a eletrificação não chega. Por isso tem de haver soluções alternativas. O hidrogénio verde é uma delas. Não é uma originalidade da EDP ou de Portugal. É uma tendência europeia e mundial”, disse.

Em paralelo, a EDP quer também desenvolver um projeto de produção de hidrogénio a partir de energia offshore. Na Estratégia Nacional para o Hidrogénio, este é um dos projetos em destaque que “permitirá abrir novos mercados e aumentar a competitividade do setor de energia offshore de forma sustentável e inovadora”.

O membro do conselho de administração da EDP garante também que “há uma revolução da sustentabilidade que não parou com a pandemia de Covid-19. É preciso acelerar. Quem pensa que o tema da sustentabilidade pode ficar parado ou voltar para trás, não está a ver o filme face à realidade atual. Isto vai continuar e vai ser um dos grandes temas do futuro”.

Até 2022, o plano estratégico da elétrica inclui um investimento total de 12 mil milhões de euros, dos quais 75% (9 mil milhões) em geração renovável. “É uma aposta que confirmamos todos os dias. Fomos pioneiros na emissão de obrigações verdes. Desde que começámos, há um ano e meio, já lançámos 3,7 mil milhões de emissão de dívida dívida em green bonds, quase 30% da dívida total da EDP. Isto é o maior exemplo de que estamos completamente comprometidos no caminho da energia verde e da sustentabilidade. E a comunidade de investidores reconhece isso”, rematou Martins da Costa.

Até 2022, a EDP quer ter mais de 90% da sua geração de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, somando para isso mais sete GW de potência instalada ao seu portfólio atual. Daqui a dois anos, a elétrica terá então quase 28 GW de energia eólica, hídrica e solar, entre outras.

Dos atuais 26,8 GW de capacidade total instalada da EDP, 19,8 GW já são renováveis. Os restantes 26% (7 GW) são ainda de origem fóssil (carvão e gás).

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