Quase metade dos europeus não sabe reciclar. Custam dois mil milhões por ano à economia

De acordo com um estudo da DS Smith, existem recicladores "anti-risco" e "esperançosos": uns colocam tudo no lixo comum, os outros reciclam o que não devem. Todos se queixam de regras complexas.

Na hora de separar o lixo para a reciclagem, 44% dos europeus admitem que têm sérias dúvidas sobre o que pode ou não ser reciclado e qual o ecoponto em que cada tipo de embalagem deve ser colocada. Resultado: colocam quase tudo no mesmo saco e no mesmo contentor e, assim, contribuem para que 46 milhões de toneladas (41%) dos resíduos potencialmente recicláveis acabem no lixo comum e, consequentemente, num aterro no final do processo.

Esta reciclagem “anti-risco”, como é chamada, pode custar à economia 1,9 mil milhões de euros por ano. Os resultados são de um estudo levado a cabo pela DS Smith, empresa internacional de embalagens, com sede em Londres.

O facto de os consumidores nem sempre conseguirem distinguir quando uma embalagem pode ou não ser reciclada é um fenómeno que, de acordo com o inquérito feito a 9.000 pessoa em Itália, Alemanha, Espanha, Polónia, França, Reino Unido e Bélgica, pode ser agravado num contexto de pandemia global em que o comércio eletrónico apresenta um crescimento exponencial.

Em Portugal, as compras online de bens de grande consumo (alimentação, bebidas, higiene pessoal e do lar), cresceram 50% no primeiro semestre, segundo um estudo da Kantar e Centromarca. A pesquisa concluiu que “a dinâmica do canal ‘online’ é um dos aspetos que marcou mais este semestre e os comportamentos de consumo associados à pandemia, sendo expectável que o crescimento continue a verificar-se no curto/médio prazo”.

Mais compras online são sinónimo de mais embalagens. Seja pelas caixas de cartão demasiado grandes e cheias de “almofadas” de plástico para proteger as encomendas, seja pelo excesso de sacos de plástico em que nos chegam a casa as compras feitas nos supermercados online, que agora até passaram a oferecer ao cliente o valor destes sacos.

Diz o estudo da DS Smith que, numa situação de dúvida sobre a possibilidade de reciclar determinada embalagem (uma lata de atum suja, uma caixa de pizza gordurenta, um copo de iogurte, entre outros), 41% dos europeus preferem “agir pelo seguro” e acabam por colocar todos os resíduos num contentor de lixo comum. Apontam a falta de informação e complexidade das diversas embalagens como principais razões para esta dificuldade.

39% dos europeus admitiram mesmo ter colocado embalagens no lixo geral, quando achavam que poderiam ter sido recicladas, sendo que 24% revelaram como principal razão a falta de clareza do rótulo. Metade da população europeia inquirida garante que aumentaria os seus níveis de reciclagem se a rotulagem de produtos fosse mais clara e evidente.

A par dos “recicladores anti-risco”, o estudo da DS Smith identifica também os “recicladores esperançosos” (27%) que, perante a incerteza sobre se caixas, garrafas e recipientes podem ser reciclados, preferem colocá-los no contentor de reciclagem, na esperança de terem feito o mais correto. Mais de metade (54%) das pessoas questionadas admitiram ter colocado, indevidamente, lixo na reciclagem e 38% justificaram esta ação pelo seu desejo de reciclar, apesar de não saberem qual o ecoponto mais correto.

Quase um terço da população europeia (29%) afirmou que já colocou algo nos contentores de reciclagem que ainda continha restos de comida e bebidas, o que contaminará a reciclagem. Além disso, um quinto (21%) dos europeus confessaram que raramente, ou mesmo nunca, verificam os rótulos antes de colocar um produto para reciclar. Também os “recicladores esperançosos” apontam como um problema as regras de reciclagem pouco claras e informações complexas nas embalagens.

“Os cidadãos têm uma grande vontade de ajudar a minimizar os seus impactos na crise climática, mas muitas embalagens ainda não são recicláveis e as pessoas têm dúvidas de quais devem ir para cada contentor. Lançámos os nossos Princípios de Design Circular, com o objetivo de ajudar as empresas a evoluir e a satisfazer as necessidades dos cidadãos. Graças a este conjunto de princípios, podemos desenvolver tendo em conta a reciclabilidade, antever que tipo de resíduos iremos gerar e criar packaging que encaixe num modelo de Economia Circular, facilitando a rotulagem para ajudar os consumidores a reciclar mais”, disse Ignacio Montfort, managing director da DS Smith Ibéria, em comunicado.

Estes Princípios de Design Circular visam facilitar a reciclagem e também promover a reutilização, evitando a produção de resíduos, prolongando a vida útil dos materiais e contribuindo para a proteção do ambiente. Os cinco princípios da DS Smith foram desenvolvidos em colaboração com a Fundação Ellen MacArthur, líder mundial em economia circular.

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