Fibra da Altice já chega a 5,3 milhões de casas. Agora quer incentivos públicos para o próximo milhão

A rede de fibra da Meo já passa por 5,3 milhões de casas. Falta pouco para cobrir a totalidade do país, mas a Altice exige agora incentivos públicos devido ao baixo retorno do investimentos.

A Altice Portugal acelerou o desenvolvimento da rede de fibra ótica nos últimos meses, alcançando já cerca de 5,3 milhões de casas no país. Para o próximo milhão, quer a ajuda do Estado para pagar.

“A partir de agora, o nosso investimento não está balizado numa lógica de projeto para atingir um número concreto”, revelou Alexandre Fonseca esta segunda-feira, explicando que as 5,3 milhões de casas alcançadas pela fibra da Altice representam o total de quatro milhões de casas de primeira habitação em Portugal, mais cerca de 1,2 milhões de casas de verão ou segunda habitação.

“Vamos continuar a investir à medida que nos vamos deparando com bolsas no território português que carecem ainda de investimento”, acrescentou.

Os próximos investimentos em fibra não serão já tão rentáveis, por serem em regiões com menor densidade populacional. Mas continuam a ser necessários, sobretudo em plena pandemia, que acelerou a transição digital da sociedade e da economia.

É nesta lógica que Alexandre Fonseca considera que o Estado deve agora intervir, criando incentivos ao investimento privado, ou mesmo participando neles, por via de coinvestimentos.

Numa altura em que o Governo prepara uma tarifa social de internet, e em que a Anacom propõe a criação de um serviço universal de internet, a Altice Portugal aguarda para conhecer o teor do Orçamento do Estado para 2021. Documento que, segundo a operadora, deverá conter formas para levar redes de telecomunicações a essas zonas do país onde o investimento privado tenha pouca ou nenhuma rentabilidade.

“É importante que haja uma estratégia nacional para permitir [o investimento em] bolsas do território onde não há retorno”, reforçou Alexandre Fonseca. O objetivo será a totalidade de cerca de seis milhões de casas existentes em Portugal, segundo números avançados pelo gestor.

Começa novo ciclo de investimentos

A Altice Portugal tem protagonizado investimentos de cerca de 500 milhões de euros por ano. Está agora a iniciar um novo ciclo de investimentos, que deverá ficar marcado pelo lançamento do 5G em Portugal, mas no qual não é certo que continue a investir ao ritmo que tem levado a cabo até aqui.

Em causa está o que Alexandre Fonseca considera ser um “ambiente regulatório hostil”, que o presidente executivo da Altice Portugal diz ameaçar a continuidade dos investimentos da empresa no país, pelo menos à velocidade da fibra. Num evento esta segunda-feira, o gestor repetiu os avisos e as críticas sobre a atitude da Anacom: “Não podemos ter um ambiente regulatório que destrói valor”, apontou.

O país está a retomar a sua atividade, preparando-se para uma nova vaga da Covid-19, mas também regressando das férias do verão. Porém, a agenda do setor das telecomunicações está bem preenchida. Lançar o 5G em Portugal adivinha-se um trabalho burocrático e intensivo do ponto de vista do capital.

Ora, se a confusão já estava instalada no dossiê, essa agravou-se ainda mais com a pandemia. O Governo não se entende com a Anacom em alguns pontos fulcrais, as operadoras também não, e reina a incerteza, numa altura em que ainda não está fechado o regulamento do leilão de frequências marcado para outubro. Pelo meio, a própria Meo continua a migrar a TDT, libertando a faixa dos 700 MHz necessária à transição entre gerações de redes de comunicações móveis.

Ainda assim, o gestor disse acreditar na “continuidade do investimento”, que “vai com certeza acontecer”. Agora, sem “um número concreto” no horizonte.

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