Consumidor assume papel central na nova fase do Pacto Português para os Plásticos

O Pacto Português para os Plásticos pretende "impactar o elemento mais importante da cadeia de valor": os consumidores, com o objetivo de impulsionar a transição para a Economia Circular.

Quase oito meses depois de ter sido assinado em Lisboa por 50 empresas, o Pacto Português para os Plásticos entra esta sexta-feira numa nova fase: o objetivo agora é “mobilizar os consumidores para a mudança de comportamentos” e uma utilização responsável do plástico. A nova campanha de sensibilização que agora arranca tem como mote “Vamos Reinventar o Plástico” e o objetivo é mobilizar a sociedade no processo de transição para uma economia circular dos plásticos em Portugal, sem impactos no ambiente.

O Pacto Português para os Plásticos é uma iniciativa colaborativa que arrancou em fevereiro em Portugal com o envolvimento de várias dezenas de empresas e entidades da cadeia de valor do plástico. O grupo inicial de 50 empresas, que agora já cresceu para 80, comprometeu-se com a implementação de metas concretas até 2025 para as embalagens de plástico: fazer uma listagem, a fazer já em 2020, de todos os plástico de uso único problemáticos ou desnecessários; 100% de embalagens reutilizáveis (recicláveis ou compostáveis); incorporação, em média, de 30% de plástico reutilizado na produção de novos produtos; 70% — o dobro — de embalagens efetivamente recicladas.

A Associação Smart Waste Portugal, que reúne “mais de 100 empresas preocupadas com a economia circular”, começou por criar um grupo de trabalho para os plásticos cujo trabalhou resultou na assinatura do primeiro Pacto Português para os Plásticos, que conta com o apoio do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, em parceria com a rede dos Pactos para os Plásticos da Fundação norte-americana Ellen MacArthur, que engloba mais de 400 entidades em todo o mundo.

O plástico está por todo o lado e faz parte do dia-a-dia de todos os portugueses. É prático, leve, barato, versátil e, sobretudo, muito útil. No entanto, a forma como tem sido utilizado – de forma linear – tem tido como consequência a degradação e poluição do ambiente, sobretudo nos oceanos. É, por isso, urgente mobilizar a sociedade portuguesa e pô-la a repensar no uso, e pós-uso, do plástico no país.

Pacto Português dos Plásticos

Depois de experiências no Reino Unido, Chile e França, “este é o quinto pacto assinado à escala global e o primeiro a contar com o envolvimento dos municípios. Conta com a participação da fileira completa, da produção à reciclagem, e nasceu da constatação que todos vamos tendo da crescente problemática dos plásticos. Tínhamos de fazer alguma coisa”, disse na altura Aires Pereira, presidente da SmartWaste Portugal.

Além do poder local, com várias câmaras municipais já a bordo do projeto (Lisboa, Cascais, Póvoa do Varzim, entre outras), o Pacto Português para os Plásticos conta também com a associação ambientalista Zero no papel de “amigo crítico” e soma parceiros institucionais (MAAC, Agência Portuguesa do Ambiente, Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Conselho Empresarial para o desenvolvimento Sustentável), universidades (Porto, Coimbra, Trás-os-Montes e Alto Douro, Nova de Lisboa) e cerca de 50 empresas.

Coca Cola, Delta Cafés, Ecoibéria, Jerónimo Martins, Lidl, Intraplás, Lipor, Sonae, Nestlé, Novo Verde, Sociedade Ponto Verde são apenas alguns exemplo da lista de signatárias que se vão comprometer com a redução de plásticos de uso único, com metas bem definidas para os próximos cinco anos. Além do firme compromisso, estas empresas vão também contribuir com investimento financeiro para o orçamento partilhado do Pacto Português para os Plásticos: cada uma que assinar o documento paga uma quota anual (dos 2.500 aos 3.750 euros).

Consumidor chamado a agir para reduzir a utilização de plástico

Agora, o Pacto Português para os Plásticos pretende “impactar o elemento mais importante da cadeia de valor”: os consumidores, com o objetivo principal de impulsionar a transição para a economia circular para os plásticos em Portugal. “Depois do envolvimento de empresas de diferentes setores, entidades governamentais, ONG’s, associações e universidades, chegou o momento de envolver também os cidadãos na missão de solucionar os problemas associados ao plástico“, informou a organização em comuinicado.

A primeira fase da campanha “Vamos Reinventar o Plástico” aposta numa presença digital com o site www.pactoplasticos.pt, numa campanha online em vários sites de referência; uma comunicação mais próxima dos cidadãos através das redes sociais; um vídeo de apresentação do projeto e também a presença nos pontos de venda dos membros associados.

“Desde o lançamento do Pacto Português para os Plásticos, no passado mês de fevereiro, tem sido extraordinário o grau de compromisso e colaboração que os membros desta iniciativa têm apresentado. Provenientes de vários setores ao longo da cadeia de valor dos plásticos, os nossos membros têm vindo a implementar várias ações no terreno, que estão, sem dúvida, a acelerar a transição para uma economia circular para os plásticos em Portugal. Mas para que estas ações atinjam os seus objetivos, é fundamental que os consumidores percebam a sua importância”, refere Pedro São Simão, coordenador do Pacto Português para os Plásticos

E sublinha: “Só com a adesão dos consumidores portugueses ao Pacto Português para os Plásticos será possível criar um futuro verdadeiramente sustentável e circular”, diz Pedro São Simão.

O Pacto Português para os Plásticos reúne hoje mais de 80 entidades, entre marcas, produtores, retalhistas, recicladores, entidades gestoras de resíduos, Governo, universidades, ONG, poder local, assim como a comunidade, com um objetivo comum: acelerar a transição para uma economia circular para os plásticos, onde continuamos a beneficiar das qualidades do plástico, garantindo que este nunca termina no ambiente.

“O plástico está por todo o lado e faz parte do dia-a-dia de todos os portugueses. É prático, leve, barato, versátil e, sobretudo, muito útil. No entanto, a forma como tem sido utilizado – de forma linear – tem tido como consequência a degradação e poluição do ambiente, sobretudo nos oceanos. É, por isso, urgente mobilizar a sociedade portuguesa e pô-la a repensar no uso, e pós-uso, do plástico no país. Ou seja, reduzir o plástico desnecessário, inovar para implementar soluções de reutilização de embalagens, aumentar a reciclagem dos plásticos, e incorporar o material reciclado em novos produtos”, refere o comunicado divulgado pelo Pacto Portuugês para os Plásticos, para assinalar a nova campanha.

Liderado pela Associação Smart Waste Portugal e com o apoio do Governo Português, o Pacto Português para os Plásticos pertence à rede global de Pactos dos Plásticos, da Fundação Ellen MacArthur, que junta iniciativas similares de várias geografias, com o objetivo de partilha de experiências, conhecimentos e boas práticas e colocando Portugal no grupo de países que pretendem liderar esta transição.

“Estamos entusiasmados em acompanhar e apoiar os avanços do Pacto Português para os Plásticos, hoje composto por mais de 80 entidades públicas e privadas que representam toda a cadeia de valor dos plásticos, unidas por uma mesma visão: a de que o plástico nunca se torne lixo em Portugal. A cada passo dado conjuntamente por esse grupo de organizações, avançamos na construção de uma economia circular para o plástico, que envolve eliminar plásticos problemáticos e desnecessários, inovar para garantir que os plásticos produzidos sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis e circular esses plásticos na prática, para que sejam efetivamente reciclados ou compostados.” diz Thais Vojvodic, Plastics Pact Network Manager na Fundação Ellen MacArthur.

Metas que os membros do Pacto Português para os Plásticos se comprometeram a atingir até 2025:

  • Definir, até 2020, uma listagem de plásticos de uso único considerados problemáticos ou desnecessários e definir medidas para a sua eliminação,
    através de redesenho, inovação ou modelos de entrega alternativos (reutilização);
  • Garantir que 100 % das embalagens de plástico são reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis;
  • Garantir que 70 % ou mais, das embalagens plásticas são efetivamente recicladas, aumentando a recolha e a reciclagem;
  • Incorporar, em média, 30 % de plástico reciclado nas novas embalagens de plástico;
  • Promover atividades de sensibilização e educação aos consumidores (atuais e futuros) para a utilização circular dos plásticos.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Consumidor assume papel central na nova fase do Pacto Português para os Plásticos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião