“Ambição Tesla” made in Portugal. Hunter Boards esgotou primeiros skates elétricos antes de ir para o mercado

Primeira produção da fábrica portuguesa vai ser entregue até ao final do ano, mas a empresa já só aceita compras para o ciclo seguinte de produção. Primeiros skates esgotaram em cinco dias.

Os fundadores da Hunter Boards. Pedro Andrade (à esquerda) é o CEO da startup.D.R.

É o “primeiro skate elétrico do mundo capaz de reduzir o risco de queda do utilizador”. Com a ambição comparada com a da Tesla pela publicação norte-americana Input, a portuguesa Hunter Boards esgotou a primeira produção — pensada para 2020 — em cinco dias. O CEO Pedro Andrade justifica o “sucesso” com a estratégia escolhida para lançar o primeiro produto da marca.

“Demorámos muito tempo a lançar porque não queríamos deixar nenhum detalhe esquecido”, admite Pedro, depois de três anos de trabalho. Em setembro, a Hunter lançou a pré-venda da primeira produção dos seus skates elétricos e esgotou o stock pensado para 2020 em cinco dias.

“Fizemos uma campanha em que as pessoas iam ao site, inscreviam-se para poder estar na waiting list para testar o produto. Para poderem habilitar-se a ficar com o skate, tinham de recomendar outras pessoas”, explica Pedro Andrade sobre o processo. No caminho, foram mais de 6.000 inscritos para apenas 50 unidades disponíveis. Só assim, mantendo a máxima qualidade e a mínima quantidade, conseguimos dar o serviço ao cliente ideal. São estas 50 pessoas que vão garantir a continuidade da empresa, através do feedback que nos derem”, assegura o empreendedor.

A ideia de criar a Hunter Boards surgiu em 2017 quando um dos sócios, Miguel Morgado, estava a testar componentes elétricos num “nível mais pequeno”. Nas pesquisas que fez, percebeu que havia um nicho de mercado nos veículos elétricos ainda por explorar. “Não havia nenhum skate elétrico no mercado com suspensão. Quando o skate não tem suspensão, não é confortável. Havia um espaço vazio no mercado“, recorda Pedro Andrade, com quem Miguel falou desde a primeira hora. À equipa juntaram-se outros dois sócios — Duarte Lino (COO) e João Gomes (head of communication).

“O utilizador pode passar por cima de buracos, pequenos obstáculos ou andar em terrenos pouco propícios a skates sem ter que preocupar-se com a possível falta de estabilidade resultante da qualidade do terreno”, assinala Pedro Andrade, sobre o produto criado pela Hunter Boards.

O que se seguiu foi uma to do list comprida, cumprida dia após dia, num mercado avaliado atualmente em dois mil milhões de dólares mas que, em 2025, se prevê que valha o dobro. Do protótipo para a fábrica, no Carregado, passaram uns meses — e 80 protótipos produzidos –, com uma ajuda preciosa: uma ronda de investimento de 150 mil euros, repartida pelos investidores da Olisipo Way e da Ideias Glaciares.

A produzir em Portugal, a fábrica do Carregado está em plena produção para fazer chegar as primeiras 50 unidades aos seus donos até ao final deste ano. A maioria dos skates vendidos chegará aos Estados Unidos (74%) até ao fim do ano. Mas o ADN português estará também em casa de clientes no Reino Unido (6%), Austrália (6%), Suécia (4%), Noruega (2%), Rússia (2%) e Portugal (2%).

Hunter Boards esgotou primeira produção em apenas cinco dias.

O preço dos skates elétricos da Hunter ronda os 1.650 euros (cerca de 1.949 dólares) e, para garantirem a reserva, os interessados têm de dar 100 dólares de entrada, valor que é depois retirado ao preço final. “Estamos agora a vender reservas para 2021, ano em que queremos produzir 1.200 skates“, explica Pedro, que acredita que o maior mercado da startup continuará a ser o norte-americano. A empresa está ainda a preparar o lançamento “de um skate mais pequeno, mais leve e mais barato”, que só deverá acontecer no final do próximo ano, “a tempo do Natal de 2021”.

A Hunter prepara ainda o lançamento de uma aplicação que, entre outras coisas, será capaz de gerir funcionalidades do skate, receber updates de produtos, controlar velocidade e distâncias e ainda marcar revisão do veículo.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Ambição Tesla” made in Portugal. Hunter Boards esgotou primeiros skates elétricos antes de ir para o mercado

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião