Marcas não querem só vender. Ensinam consumidores a poupar dinheiro e o ambiente

O consumo sustentável pode ir desde um carro elétrico ou painéis solares, até aos pequenos produtos do dia-a-dia, do pão ao café, do champô ao detergente para a roupa.

As marcas querem sempre vender mais, é certo, mas nos dias que correm esse já não pode ser o único foco. Cada produto posto à venda tem uma pegada carbónica e ambiental associada e é da responsabilidade das grandes marcas de consumo reduzi-la ao máximo. Do outro lado da equação, cabe também ao consumidor fazer as melhores escolhas para um consumo mais sustentável.

A Deco garante que essas escolhas sustentáveis resultam em impactos positivos na carteira das famílias: se instalar redutores de caudal nas torneiras de casa, não só poupo água como ganho X euros ao fim do ano. O mesmo na eletricidade. Se instalar painéis solares, a fatura da luz baixa ao final do mês.

O consumo sustentável pode ir desde algo maior e mais duradouro, como um carro elétrico ou painéis solares, até aos pequenos produtos do dia-a-dia, do pão ao café, do champô ao detergente para a roupa. Conheça alguns exemplos.

Nestlé aposta no café torrado made in Portugal com embalagens sem alumínio

Presente em mais de 20 países, a marca de cafés Buondi acaba de lançar uma nova embalagem criada de raiz para ser 100% reciclada. Continua a ser feita de plástico, tal como antes, mas agora segue de Portugal para o mundo sem a segunda camada de alumínio, que antes impedia que a embalagem fosse reaproveitada e reciclada depois de utilizada.

Dona da Buondi, a Nestlé garante que esta inovação permitirá eliminar o consumo anual de 2,2 km2 de alumínio, bem como reduzir o consumo de água e energia necessários para produzir este material.

Para já, a nova embalagem reciclável, que pode ser colocada diretamente no ecoponto amarelo, está a ser aplicada na fábrica de café do Porto apenas nos formatos de café em grão torrado de 1 kg do lote Buondi Prestige, comercializados pela Nestlé Professional para cafés e restaurantes.

Mas já em 2021 este novo material plástico 100% reciclável vai ser a matéria prima das embalagens de grande dimensão das restantes marcas de café da Nestlé — Sical, Tofa, Christina — mas também das embalagens mais pequenas de café moído (250 gr) que seguem para os supermercados, chegando a todos os consumidores. A multinacional suíça assumiu o compromisso de tornar as suas embalagens 100% recicláveis ou reutilizáveis até 2025.

Nas vendas a profissionais — e com os cafés, restaurantes e hotéis limitados na sua atividade por causa da pandemia — a Nestlé dá conta de quebras de vendas na ordem dos 40%, enquanto as vendas de cápsulas disparam, sobretudo online. Feitas as contas, se bebermos 3 a 4 cafés por dia, em casa, ao fim do mês são 90 a 120 cápsulas.

Da fábrica da Dolce Gusto, em Girona, vão sair em 2020 2.800 milhões de cápsulas de 200 referência de café, mais 450 milhões do que no ano passado, quando se fabricaram 2.350 milhões. E se nas cápsulas Dolce Gusto predomina o plástico, o alumínio compõe as da Nespresso, sendo que ambas as marcas têm programas de recolha e reciclagem, com metas ainda abaixo do desejado. A Nestlé quer alcançar 100% de capacidade de recolha de cápsulas usadas e garantir que 100% do alumínio usado nas cápsulas Nespresso seja gerido de forma sustentável.

Garnier lança champô sólido e testa rótulo com avaliação de impacto ambiental

Lavar o cabelo com algo que se assemelha a um sabonete? A marca de produtos de beleza Garnier — Fructis, Ultra Suave, Garnier Bio, Skin Active, Ambre Solaire, Olia e Nutrisse — aposta nesta nova tendência de consumo sustentável e garante que não só é melhor para o ambiente, como ainda permite poupar.

Isto porque o novo champô sólido da marca chega às prateleiras dos supermercados com uma embalagem com 0% de plástico, 100% biodegradável e reciclável, e que “reforça o compromisso de sustentabilidade de Garnier”. Além disso, cada barra de champô sólido equivale a duas embalagens de champô tradicional e tem 94% de ingredientes de origem vegetal.

Para Tiago Melo, Diretor de Marketing de L’Oréal Grande Consumo, “esta é uma verdadeira revolução no segmento dos champôs: performance e sustentabilidade coabitam numa receita com ingredientes naturais que respeita o cabelo e o planeta. Com zero plástico e zero desperdício, este é um lançamento integrado na iniciativa GreenBeauty, que reforça o compromisso de sustentabilidade de Garnier, reduzindo e erradicando o impacto ambiental em todas as etapas de cadeia de valor da marca”.
Com presença em 64 países do mundo, em julho a Garnier lançou a sua iniciativa Green Beauty, de acordo com a qual a empresa se compromete a que até 2025 todos os produtos sejam feitos sem plástico virgem (poupando assim 37 mil toneladas de plástico todos os anos, equivalentes a 1,8 mil milhões de produto), todas as embalagens reutilizáveis, recicláveis e compostáveis e todas as fábricas neutras em carbono (38.596 toneladas de emissões de CO2 já reduzidas com recurso à energia renovável). A marca será também a primeira a implementar o sistema de Rotulagem de Impacto Ambiental e Social do Produto.
Este novo rótulo vai permitir informar os consumidores para o impacto social e ambiental dos produtos, para que tenham a capacidade de fazer escolhas sustentáveis. A ser testado em França e nos produtos de cuidado de cabelos, este rótulo tem uma pontuação de sustentabilidade de A ao E. Esta pontuação tem em conta 14 fatores ambientais relacionados com fontes, processo de produção, transporte, utilização e reciclagem.

Detergentes que poupam energia? Tide e Fairy prometem limpeza com água fria

A gigante mundial de marcas de bens de consumo, Procter & Gamble (P&G) não só quer reduzir as emissões globais das suas operações como também faz uma Avaliação do Ciclo de Vida dos seus produtos para conhecer as emissões da sua cadeia de fornecimento, bem como da utilização dos seus produtos pelo consumidor (de âmbito 3).

A empresa descobriu que mais de 85% das emissões de âmbito 3 são provenientes da utilização dos seus produtos pelos consumidores. “A P&G chega a cinco mil milhões de pessoas através das suas marcas todos os dias e, com essa escala, é responsável por dar aos consumidores o poder de reduzir as suas próprias pegadas de carbono com produtos projetados para ajudar a poupar energia, água e recursos naturais”, diz a empresa.

E dá exemplos: Mais de 60% da pegada de um detergente para a roupa reside na sua utilização por parte do consumidor, sobretudo no que toca à energia usada para aquecer a água, por isso, marcas como Ariel e Tide estão já a otimizar as fórmulas dos seus detergentes para obterem alta eficiência na lavagem a baixa temperatura.

O objetivo é fazer com que 70% das cargas de máquinas de lavar roupa passem a ser de ciclos de baixa temperatura. A P&G estima que, desde 2015, as emissões evitadas pelos consumidores que aumentaram os ciclos de lavagem a baixa temperatura foram de aproximadamente 15 milhões de toneladas de CO2, o que equivale a tirar 3 milhões de carros das estradas.

Já a marca Fairy tem conseguido provar aos consumidores que lavar a louça na máquina é mais eficiente no que toca à poupança de água e energia, comparativamente à lavagem à mão. As cápsulas Fairy permitem aos consumidores poupar água e a energia necessária para a aquecer. Ao reduzirem a temperatura da água em 20°C, os consumidores podem poupar até 50% de CO2 da pegada total a cada lavagem.

Auchan aposta nos produtos a granel para promover poupança

No âmbito do Dia Mundial da Poupança, a Auchan desafiou os seus clientes a fazerem escolhas mais económicas e conscientes: fraldas ou toalhitas reutilizáveis, produtos descartáveis de madeira e cartão ou ainda a oferta avulso — mais de 600 referências de produtos — são algumas das soluções para evitar compras desnecessárias e a aumentar o tempo de vida útil dos produtos.

Outra das sugestões de poupança da Auchan é o pão para culinária: pão do dia anterior, que pode ser utilizado para culinária, ou com mais de dois dias e transformado em pão ralado, vendido a um preço mais acessível. Permite uma dupla poupança: monetária e alimentar, reduzindo o desperdício de alimentos.

“Fazer uma lista de todos os produtos necessários ou comparar os diferentes tamanhos dos produtos, verificando sempre o preço por Kg/L, facilitam, também, a poupança diária”, diz a Auchan.

Leroy Merlin dá dicas de poupança: isolar, ventilar e aquecer

Para garantir a eficiência energética em casa há três passos essenciais a considerar: isolar, ventilar e aquecer, garante a rede de lojas de materiais de construção, acabamento, decoração, jardinagem e bricolagem Leroy Merlin, com presença em França, Espanha, Portugal, Polónia, Itália, Brasil, Rússia, China, Grécia, Roménia, Ucrânia, Chipre.

Diz a marca que “o isolamento é fundamental para garantir o conforto térmico da casa durante todo o ano” e ainda permite uma redução de 40% na fatura de energia. Além da poupança em energia, “o isolamento térmico amplia a durabilidade da casa, reduz a necessidade de trabalhos de manutenção e aumenta o conforto”, diz a Leroy Merlin.

Depois de isolada a casa, é essencial ventilá-la, para garantir a renovação do ar viciado sem desperdício de calor, tornando o ar mais saudável e, ao mesmo tempo, assegurando o bom estado da casa. “É possível garantir uma ventilação eficaz através de um sistema de Ventilação Mecânica Controlada, que permite poupar até 10% em energia“, referem.

No que diz respeito ao aquecimento, a escolha do aparelho irá determinar os custos de energia. Com a redução de apenas 1 grau na temperatura para aquecimento ambiente poderá poupar-se até 7% na fatura de energia, diz a Leroy Merlin.

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