BCP vende malparado ao fundo que comprou “Nata 2” ao Novo Banco

BCP prepara a venda do "Projeto Ellis" ao fundo Davidson Kempner (que comprou o Nata 2 ao Novo Banco) e do "Projeto Webb" à Arrow. O Novo Banco também vendeu carteira "Carter" à Arrow.

Davidson Kempner: foi este o fundo de private equity que comprou a carteira de malparado “Nata 2” ao Novo Banco em 2019 e se prepara agora para adquirir outra carteira de NPL (non performing loans), o “Projeto Ellis”, ao BCP, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.

Ambas as carteiras têm uma coisa em comum: o facto de incluírem créditos de grupos empresariais, os chamados devedores “high profile”. Inicialmente, o “Projeto Ellis” tinha o valor de 300 milhões de euros, mas com a retirada de alguns créditos o valor da carteira reduziu-se para cerca de 170 milhões de euros, segundo fonte próxima do processo.

O BCP também já selecionou o vencedor da outra carteira que tinha colocado à venda nos últimos meses. O “Projeto Webb”, uma carteira mais granular e cujo valor inicial era de 450 milhões de euros, vai ser vendida à Arrow (detém em Portugal a White Star e a Norfin) e ao fundo CRC. O Jornal Económico avançou no mês passado que o valor desta carteira também poderá ter sido ajustado para metade.

Resta saber quando se fará o closing das duas operações. O CEO do banco, Miguel Maya, tinha apontado para o fecho de uma operação este ano. O ECO contactou o banco sobre estes processos, que não quis comentar.

Na mesma ocasião, falando na apresentação de resultados trimestrais, Miguel Maya frisou que a tomada de decisão em relação às vendas de ativos problemáticos terá sempre por base uma “lógica de custo/benefício” e que o banco quer preservar capital nestes processos.

Novo Banco fecha primeira venda após polémica

Como o ECO revelou, os bancos portugueses inundaram o mercado de malparado nos últimos meses, depois de a pandemia ter paralisados os processos que tinham previsto realizar ao longo do ano, e num esforço para “limpar” o balanço perante a expectável subido do malparado, por causa da crise. Cerca de 2.000 milhões de euros destes ativos de NPL e imobiliários foram colocados à venda.

Além do BCP, também o Novo Banco tem processos no mercado. Um deles também já está perto de um desfecho: o “Projeto Carter” vai ser vendido ao fundo CRC em consórcio com a Arrow, segundo adiantou a mesma fonte. Trata-se de uma carteira composta por pequenos créditos secured e unsecured, isto é, inclui contratos de empréstimo com colateral e sem colateral, no valor de 100 milhões de euros.

É ainda a primeira operação de venda de malparado realizada por António Ramalho depois de toda a polémica gerada em torno destes processos e que levou o Governo e António Costa a solicitar ao banco que parasse com as vendas de ativos até que a Procuradoria-Geral da República analisasse as dúvidas levantadas.

O banco tem em curso mais um processo: o “Projeto Wilkinson”, no valor de 200 milhões. Há três fundos na corrida: a Davidson Kempner, a Atena Equity Partners (em consórcio com a Blantyre) e o Bank of America Merrill Lynch passaram à segunda fase. O mercado espera que a instituição financeira lance uma nova carteira no mercado no início do próximo ano.

Tanto as carteiras do BCP como do Novo Banco têm nomes ligados ao râguebi. Ramalho já teve a oportunidade de esclarecer porque razão de deu o nome de jogadores de râguebi: “É a simbologia dos lutadores que nunca desistem e que querem assegurar no mercado a eficácia e o cumprimento dos seus objetivos”.

(notícia atualizada às 15h10 para acrescentar fundo CRC na aquisição do Projeto Carter, em consórcio com a Arrow)

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