Fitch: Investidores esperam fusões na banca europeia e venda de malparado em 2021

  • Lusa
  • 14 Janeiro 2021

Para a Fitch fusões para fortalecer as posições domésticas "fariam sentido para muitos bancos, dado que os setores bancários europeus ainda estão fragmentados".

Vários investidores consultados pela agência de ‘rating’ Fitch esperam um aumento da consolidação na banca europeia em 2021, bem como um aumento das vendas de carteiras de crédito malparado, de acordo com uma nota hoje divulgada.

“Numa votação da audiência (sobretudo investidores) na conferência de Perspetivas de Crédito da Fitch em 13 de janeiro [quarta-feira], 91% esperavam mais fusões e aquisições, com 52% a citarem as fusões domésticas para fortalecer a posição de mercado dos bancos como o principal fator“, pode ler-se numa nota da Fitch divulgada esta quinta-feira.

De acordo com a agência de notação financeira, “cerca de 70% da audiência esperava que as vendas de NPL [‘non-performing loans’, crédito malparado] subissem, com a gestão de capital dos bancos como principal fator, seguido pela maior experiência entre as instituições financeiras não bancárias a lidar com os NPL”.

Para a Fitch, fusões para fortalecer as posições domésticas “fariam sentido para muitos bancos, dado que os setores bancários europeus ainda estão fragmentados, com um grande número de pequenos bancos com falta de economia de escala para competir com eficácia mantendo a rentabilidade e fazendo os investimentos necessários em tecnologia“.

“Esperamos que alguns bancos procurem fusões para aumentar a sua eficiência operacional e capacidade de investimento”, com a eficiência a poder “mitigar a pressão nos lucros vinda das baixas taxas de juro”, e o investimento a ser importante “para desenvolver competências digitais”. Segundo a Fitch, os bancos “precisam de aumentar o investimento em tecnologia e infraestruturas de IT [tecnologias de informação], incluindo portais de abordagem ao cliente, para permanecer competitivos”.

“Esperamos que mais bancos procurem aquisições de – ou cooperação com – empresas ‘fintech’ [financeiras tecnológicas] mais pequenas, para fomentar as suas capacidades digitais”, diz a Fitch, alertando que “os bancos a retalho que dependeram da sua rede de balcões ou que operam em mercados com alta utilização de dinheiro físico podem ter ficado para trás no desenvolvimento de capacidades digitais”.

A agência de ‘rating’ norte-americana refere também que muitos bancos europeus estão numa situação “de baixa rentabilidade, mas de significativa liquidez em excesso”. Apesar da opinião dos investidores relativamente à venda de crédito malparado, a Fitch espera o aumento do NPL, “à medida que as medidas de apoio para os devedores são gradualmente retiradas, o que poderá significar uma forte oferta de NPL para os bancos venderem a compradores”.

“No entanto, tanto os fluxos de novos NPL e a perspetiva para os já existentes são altamente incertos devido ao curso imprevisível da pandemia”, com a agência a esperar ser “difícil” a venda atempada de NPL nas atuais circunstâncias.

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