Novas medidas de confinamento “não vão ter efeito relevante na mobilidade”

As novas medidas de confinamento "não vão ter efeito relevante na mobilidade", calcula a empresa de analítica e dados PSE. Na segunda-feira, apenas 41% dos portugueses ficaram em casa.

As novas medidas de confinamento “não vão ter efeito relevante na mobilidade” dos portugueses. A estimativa é da empresa de dados e analítica PSE, que tem medido a circulação dos cidadãos com base numa amostra de 3.670 pessoas.

Na segunda-feira, o Governo decidiu apertas as regras do confinamento aos portugueses, assumindo que os dados da mobilidade apontavam para uma fraca adoção por parte dos cidadãos. Os dados da PSE confirmam essa realidade: “Os portugueses cumpriram de forma muito ligeira a orientação para ‘ficar em casa'”, indica a empresa.

Os números são claros. No primeiro confinamento, em março e abril de 2020, uma média de 65% dos portugueses ficaram em casa. No entanto, esse valor era de apenas 41% a 18 de janeiro, dia em que o primeiro-ministro anunciou novas medidas, ainda mais restritivas.

Recuando um pouco mais, até ao fim de semana que passou, a PSE assegura mesmo não ter visto qualquer alteração na percentagem de portugueses que ficaram em casa.

“Antes destas medidas de lockdown, a quantidade de população em circulação era em média de 70% nos dias úteis e 40% aos fins de semana. Vemos que, com estas medidas, no fim de semana, essa quantidade de população em circulação não se alterou em comparação com os fins de semana anteriores”, aponta a empresa.

Desta feita, a PSE calcula que “as novas medidas anunciadas ontem [segunda-feira] ao fim do dia tenham pouco impacto na mobilidade”. A explicação está no facto de, durante o fim de semana, a população já estar “naturalmente mais confinada”.

“Ou seja, as novas medidas deverão reduzir as distâncias já percorridas pelos portugueses (pela inibição de circulação entre concelhos), mas poderão manter a mesma quantidade de pessoas em circulação num menor período de tempo e ainda promover a concentração de pessoas até às 13h00 durante os fins de semana”, alerta.

Medidas atuais mandaram poucos para casa

O certo é que, na estimativa da PSE, “as medidas atuais do Governo tiveram impacto apenas na redução da mobilidade em dias úteis, mas de forma ténue”.

“Tanto na sexta-feira como na segunda-feira, a quantidade de pessoas em circulação foi de 60%. Isto significa que as medidas retiraram apenas 10 pontos percentuais da população em circulação até ao momento. E aumentaram o confinamento em casa de 31% no dia 11 de janeiro para 41% no dia 18 de janeiro”, resume a empresa.

A PSE mede a mobilidade dos cidadãos recorrendo a uma amostra representativa de pessoas com mais de 15 anos. O estudo recorre à “recolha de dados contínua através da monitorização de localização e meios de deslocação” através de uma aplicação móvel instalada nos telemóveis dos participantes, em diferentes regiões do país.

Foi perante indicadores como este que António Costa, primeiro-ministro, decidiu na segunda-feira apertar as regras. Vai ser proibido estar nos jardins públicos e empresas do setor alimentar não vão poder servir cafés ao postigo. Há ainda várias outras regras que entrarão em vigor nos próximos dias, incluindo novas exigências para as empresas que não podem funcionar em regime de teletrabalho, quando o novo decreto for publicado no Diário da República.

Para serem eficazes, estas novas medidas terão de fechar cerca de metade dos portugueses em casa, estima a PSE. “Não é expectável que o crescimento da pandemia seja travado sem conseguirmos um índice de mobilidade igual ou inferior a 60% da mobilidade ‘normal’, anterior à Covid-19. E, consequentemente, cerca de 50% da população em confinamento em casa”, conclui a empresa.

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