Netflix emite mais carbono para a atmosfera do que Cabo Verde

No ano passado, a plataforma de streaming foi responsável pela emissão de 1,1 milhões de toneladas métricas de carbono. Agora vai investir para chegar a zero emissões até ao fim de 2022.

Da próxima vez que passar uma tarde de fim de semana no sofá viciado em filmes e séries da Netflix e a pensar que está a proteger o ambiente porque está sossegado em casa, sem poluir, pense duas vezes. Esta quarta-feira, a gigante de streaming revelou, pela primeira vez, que as suas emissões de carbono anuais equivalem a 4,3 mil milhões de quilómetros percorridos por um automóvel a circular na estrada.

Já uma hora de streaming na Netflix salda-se em emissões abaixo dos 100g de CO2 equivalente, o mesmo que um percurso de 400 metros de um veículo de passageiros com motor a gasolina.

“Em 2020, a nossa pegada de carbono correspondeu a 1,1 milhões de toneladas métricas. Cerca de metade (50%) dessa pegada foi gerada pela produção física de filmes e séries originais Netflix, quer as que gerimos diretamente (como “O Céu da Meia-Noite”), quer as que são da responsabilidade de outras produtoras (como “O Nosso Planeta” e “Escola de Sobrevivência”). Esta pegada inclui também os conteúdos que licenciamos como originais Netflix (como “A Sabedoria do Polvo” e “Down to Earth with Zac Efron”)”.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph (acesso pago), ao emitir 1,1 milhões de toneladas métricas de carbono para a atmosfera num ano a pegada carbónica da Netflix excede a das nações insulares mais pequenas, como a Micronésia (300.000 toneladas) e as Ilhas Cook (100.000 toneladas), segundo números do World Resources Institute (WRI). Comparando com Cabo Verde, por exemplo, e seguindo os dados mais recentes disponíveis no site Our World in Data (de 2016), vemos que este pequeno país africanos emitiu nesse ano 930.000 toneladas de CO2 equivalente, abaixo dos números agora reportados pela Netflix.

No entanto, refere ainda o The Telegraph, o cenário muda se a comparação for feita com países como a Suíça (46,1 milhões de toneladas), a Bolívia (57,3 milhões de toneladas) ou mesmo Portugal (69,39 milhões de toneladas de CO2 equivalente emitidas em 2016).

Segundo a Netflix, a sua pegada carbónica não contabiliza o serviço de streaming (transmissão pela Internet) ou a eletricidade consumida pelas televisões, smartphones e outros dispositivos, que são atribuídos às empresas que fabricam ou controlam esses sistemas.

A empresa diz que 50% desta pegada de carbono vem das filmagens de conteúdos televisivos — como a popular série “The Crown” –, 45% resultam das operações corporativas (escritórios) e bens adquiridos (gastos de marketing) e apenas 5% dos serviços de internet e armazenamento em ‘cloud‘.

Face a este cenário, a Netflix compromete-se assim a chegar a zero emissões de gases de efeito de estufa no final de 2022, e nos anos seguintes, e a reduzir em 45% as emissões diretas e indiretas até 2030.

Esta estratégia de sustentabilidade chama-se “Neutralidade carbónica + Natureza” e a primeira meta dependerá principalmente da compensação de emissões que não puderem ser evitadas (incluindo as das atividade na cadeia de valor) através do investimento em projetos para regenerar florestas tropicais e manguezais, recuperar pastagens naturais, terras pantanosas e solos férteis, irão ajudar a sequestrar e armazenar carbono.

“A nossa estratégia está em consonância com as mais recentes diretrizes da Universidade de Oxford e com os critérios da SBTi (Science-Based Targets Initiative). O nosso programa cumprirá as 10 diretrizes recomendadas pela SBTi. Também integrámos o grupo de empresas da campanha Business Ambition for 1,5°C da ONU, bem como o America is All In, um consórcio empenhado em tomar as medidas necessárias para cumprir o objetivo firmado no Acordo de Paris de limitar o aumento global da temperatura a 1,5 ºC”, explicou Emma Stewart, responsável de sustentabilidade da Netflix.

Além das estratégias para compensar emissões, o presidente executivo da Netflix, Reed Hastings, disse também ao Financial Times que a empresa levará a cabo outras mudanças como por exemplo ter baterias elétricas e luzes LED nos sets de filmagem, contratar equipas localmente e utilizar métodos de produção “virtuais” sempre que possível.

(Notícia atualizada com os dados corretos das emissões de CO2 equivalente para Cabo Verde em 2016 de acordo com o site Our World in Data)

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