Só 3% dos escritórios de Lisboa têm certificação de sustentabilidade

De acordo com a JLL Portugal, 58% dos 230.000 m2 atualmente em construção na cidade de Lisboa já incorporam certificações de sustentabilidade.

Na cidade de Lisboa, apenas 3% do stock de edifícios de escritórios tem hoje certificação de sustentabilidade, revela a empresa de serviços de imobiliário e gestão de investimento JLL. Apesar disso, garante, “há uma crescente aposta dos promotores e investidores neste caminho, visto que 58% dos 230.000 m2 atualmente em construção já incorporam certificações de sustentabilidade, tais como BRREAM, LEED ou WELL.

De acordo com um inquérito feito aos clientes da JLL, em Portugal 82% dos operadores imobiliários afirma ter intenção de avançar no compromisso com a sustentabilidade, uma quota superior à registada para a Alemanha, Espanha ou França.

Esta mudança de paradigma surge associada à ideia de que construir um edifício mais sustentável já não é necessariamente muito mais caro. De acordo com o estudo “Building a New Future With Sustainability”, apresentado recentemente pela empresa de serviços profissionais em imobiliário e gestão de investimento JLL, o investimento adicional exigido aos construtores e promotores para implementar medidas de sustentabilidade num edifício “não vai muito além dos 5% face a um imóvel semelhante onde tais padrões não sejam aplicados”.

“Continua a existir uma perceção errada do custo/benefício dos edifícios sustentáveis em Portugal. Estes dados são críticos para perceber o impacto financeiro de um ambiente construído mais sustentável e para apoiar as melhores decisões. O estudo pretende mostrar que os edifícios sustentáveis fazem sentido não só pelo seu impacto ambiental positivo, mas também porque geram retornos financeiros efetivos: mitigam risco, baixam custos operacionais, aumentam o prémio das rendas e comprimem as yields, assim resultando num maior valor de venda do imóvel. A sustentabilidade deve ser uma prioridade e estar em cada fase do ciclo de vida do imóvel, indo muito além da certificação”, defende o diretor geral da JLL, Pedro Lancastre.

Além disso, o estudo conclui também que “a própria indústria da construção está a evoluir e os custos desse investimento tenderão a reduzir à medida que os padrões de sustentabilidade sejam cada vez mais um requisito básico”.

Por outro lado, sublinha a pesquisa da JLL, não investir num imóvel com certificação de sustentabilidade poderá ter um custo futuro muito mais elevado. Isto porque, consideram, “é expectável a depreciação do valor de um imóvel não sustentável no tempo, assim como o aumento da carga fiscal para penalizar edifícios com emissões de carbono excessivas”.

Já em termos de custos operacionais, a implementação de medidas de sustentabilidade num edifício pode ter um impacto muito relevante, com reduções de 25% a 50% no consumo de energia, de 40% no gasto de água e de 70% na produção de resíduos.

O estudo “Building a New Future With Sustainability” fala ainda de um claro impacto nas rendas: numa comparação de dois edifícios semelhantes, no mercado de Londres, a JLL apurou um prémio de 6% a 11% na renda dos ativos com certificação em sustentabilidade. No entanto, este impacto depende de uma conjugação de vários fatores, como a localização, os termos de arrendamento, o perfil do inquilino ou a idade do imóvel.

Outra vertente passa ainda pelo impacto no desempenho ocupacional dos imóveis. “Os edifícios mais sustentáveis estão associados a rendas mais elevadas, menores incentivos e à atração de inquilinos com perfil mais sofisticado, além de haver evidência de menores tempos de comercialização e taxas de disponibilidade mais baixas”, refere a JLL, que lançou recentemente uma linha de consultoria especializada em sustentabilidade.

O estudo “Building a New Future With Sustainability” foi desenvolvido pelo Departamento de Strategic Consultancy & Research da JLL e fornece indicadores sobre o impacto financeiro das medidas de sustentabilidade, especialmente sobre o valor e desempenho ocupacional dos imóveis.

“Cerca de 40% do total das emissões de carbono advêm do imobiliário, pelo que este setor terá um papel crucial na construção de um futuro mais resiliente e sustentável. É importante que os investidores, promotores e ocupantes percebam que a sustentabilidade e o desenvolvimento de edifícios mais verdes vai ser uma exigência de base no futuro. O estudo pretende precisamente mostrar que investir em edifícios mais sustentáveis é não só uma urgência estrutural das sociedades e do ambiente, como tem efetivamente benefícios muito relevantes em termos de custos, valor e desempenho ocupacional dos imóveis”, disse Joana Fonseca, Head Strategic Consultancy & Research.

O estudo foca-se no mercado de escritórios, um segmento que permite ter uma perspetiva mais abrangente deste impacto. A consultora refere que apesar dos custos à cabeça serem mais elevados quando se investe num edifício mais sustentável, há evidências de que este tipo de imóveis tenderá a ter um melhor desempenho em termos de atratividade comercial, taxas de ocupação, rendas e custos operacionais.

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