Novo Banco lucra 70,7 milhões no arranque do ano. É o primeiro resultado positivo desde 2018

António Ramalho já tinha prometido que banco ia começar a dar lucros a partir do primeiro trimestre deste ano. Assim foi: Novo Banco apresentou resultados positivos de 70,7 milhões até março.

O Novo Banco registou um lucro de 70,7 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, que compara com os prejuízos de 179,1 milhões registados no mesmo período de 2020, segundo anunciou esta segunda-feira ao mercado.

Trata-se do primeiro resultado positivo do banco desde 2018 (veio a terminar esse ano com prejuízos acima de 1.400 milhões), sendo que António Ramalho já tinha prometido que a instituição ia começar a dar lucros logo a partir de janeiro deste ano, depois de terminada a fase de reestruturação em 2020.

Para este resultado contribuiu a subida da margem financeira em 12% para 145,7 milhões de euros devido “ao progresso significativo na redução do custo de refinanciamento e manutenção da margem ativa”. Isto ajudou a compensar a quebra de 8% nas comissões para 62,8 milhões de euros, uma descida que se deveu ao menor número de transações e menor atividade bancária por causa da pandemia.

O banco também registou 52,8 milhões de euros de resultados de operações financeiras nos primeiros três meses do ano, que incluem um ganho de 27 milhões com títulos de dívida. Há um ano esta rubrica deu uma perda de 94 milhões, pesando fortemente nos resultados de então.

Desta forma, o produto bancário dispara mais de 150% dos 106,5 milhões para os 273,5 milhões, contribuindo decisivamente para o regresso aos lucros.

Também houve melhorias do lado dos custos. Em dois níveis: por um lado, os custos operacionais sofreram uma redução de 5% para 102,7 milhões, com o Novo Banco a notar o “compromisso com contínua eficiência e recalibração do negócio”; por outro, as imparidades e provisões ascenderam 61,8 milhões de euros no primeiro trimestre, comparados com os quase 150 milhões de euros que o banco deixou de lado há um ano para fazer face à pandemia.

660 milhões de euros em moratórias em risco

O balanço do Novo Banco contraiu no arranque do ano em relação ao mesmo período do ano passado, na medida em que tem menos crédito concedido (caiu 1,1% para 24,9 mil milhões de euros) e menos depósitos de clientes (caiu 0,5% para 25,2 mil milhões de euros).

O banco chegou a março com um total de 6,6 mil milhões de euros de crédito em moratória, menos 300 milhões em relação a dezembro. Isto significa que 27% da carteira de empréstimos está ao abrigo das medidas de suspensão de capital e/ou juros por causa da pandemia.

De acordo com o Novo Banco, 10% das moratórias estão em “stage 3”, num total de cerca de 660 milhões de euros de empréstimos em moratória que se encontram já em situação irregular. Em “stage 2” encontravam-se cerca de 2.200 milhões de euros.

Ao nível da qualidade da carteira de crédito, o banco destaca ainda a redução do nível de malparado, com rácio a cair para 8% no final de março (quase 2,3 mil milhões de euros), depois da venda de uma carteira no valor de 200 milhões.

Já o rácio de capital CET1 ficou nos 11,3% já contando com a injeção de 429 milhões de euros que o Fundo de Resolução fará brevemente ao abrigo do mecanismo de capital contingente.

O banco sublinha que ficaria nos 12% se contasse com os 598 milhões pedidos ao Fundo de Resolução, que decidiu descontar 166 milhões de euros do cheque deste ano devido a divergências em relação às perdas registadas com a venda em Espanha.

(Notícia atualizada às 19h06)

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