BCP avança com plano de redução de pessoal

Banco já reuniu com sindicatos, que falam em saídas até mil trabalhadores. Plano terá maior impacto nos serviços centrais.

O BCP vai avançar com um plano de redução de trabalhadores, segundo uma mensagem enviada internamente e a que o ECO teve acesso. O banco acabou de anunciar que iniciará na próxima semana um programa de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo, que se estenderá até 18 de agosto. “Na eventualidade de ser necessário para alcançar a redução em função dos critérios específicos que considerámos”, o banco avisa que avançará com a “implementação de medidas unilaterais de redução do número de trabalhadores“.

O banco não revela quantos trabalhadores deverão sair no âmbito deste plano, mas “reuniu-se esta manhã com o Mais Sindicato, o SBC e o SBN para comunicar-lhes a decisão de reduzir o quadro de pessoal até mil trabalhadores“, de acordo com um comunicado conjunto destes três sindicatos da banca. “Se o processo correr bem do ponto de vista do banco, poderá não ser necessário chegar às mil saídas”, acrescentam os sindicatos.

Na mensagem aos trabalhadores, o CEO Miguel Maya afirmou que “os próximos meses serão muito difíceis”. “Não salientamos ainda as condições e o número concreto de pessoas a abranger, pois entendemos que tal só deverá ser conhecido após as reuniões a realizar com as estruturas representativas dos trabalhadores, as quais perspetivamos possam ocorrer até 16 de junho”, disse ainda.

O BCP tinha sete mil trabalhadores na atividade em Portugal e mais de 10 mil na operação internacional, embora apresentado uma tendência de redução nos últimos anos.

Miguel Maya salienta que o bancoapresentava cerca de 15% mais trabalhadores do que um dos grandes bancos de referência” e que também iniciou recentemente um programa de redução de trabalhadores.

Na mensagem dirigida aos trabalhadores, são elencadas oito “condicionantes” que tiveram peso na decisão de avançar com este ajustamento dos quadros, incluindo a alteração dos hábitos dos clientes rumo aos canais digitais, a limitação na cobrança de comissões (decidida pelo Parlamento), a impossibilidade de repercutir o custo dos depósitos nos grandes depositantes e os custos “injustos e irrazoáveis” com o Fundo de Resolução e “cujas contribuições por parte do BCP se aproximam dos 50 milhões de euros por ano e, em valor acumulado, já superaram os 400 milhões” em benefício de um concorrente direto, o Novo Banco.

Miguel Maya fala “na decisão mais difícil e mais pesada” que a administração já teve de tomar desde que iniciou funções. Conta que o processo não foi iniciado no ano passado por causa do impacto da pandemia.

“Temos consciência do relevante impacto nas famílias de pessoas que ao longo de anos deram muito de si ao BCP. Mas temos também bem presente de que se não atuarmos agora – é sempre possível e há sempre motivos fáceis de identificar para procrastinar decisões – estaremos a facilitar a nossa vida no imediato e a comprometer de forma relevante o futuro do banco e dos seus trabalhadores”, justifica.

De acordo com o que foi transmitido aos sindicatos, “os trabalhadores serão contactados pelo banco nas próximas duas semanas, departamento a departamento, sendo o tipo de proposta decorrente da situação de cada um”, sendo que o plano “terá maior impacto nos serviços centrais”.

Para as pré-reformas encontram-se elegíveis os trabalhadores com 57 anos ou mais, embora também podem ser aceitar rescisão por mútuo acordo. Quanto às rescisões por mútuo acordo, o BCP propõe 1,4 da remuneração mensal efetiva. “Os trabalhadores que ponderem esta possibilidade, devem saber desde já que não terão direito a subsídio de desemprego”, alertam os sindicatos.

O BCP é o último banco a anunciar saídas, depois de Banco Montepio e Santander Totta terem apresentado nos últimos meses programas semelhantes. O Novo Banco também planeia cortar 750 postos de trabalho nos próximos três anos.

(Notícia atualizada às 14h34 com reação dos sindicatos)

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