“Nesta indústria, a discrição e reserva são a alma do negócio”, diz advogado de CR7

O Manchester United vai pagar 15 milhões de euros pelo passe de Cristiano Ronaldo. O advogado do avançado português, Paulo Rendeiro, explicou à Advocatus algum do trabalho de bastidores.

No dia 27 de agosto – época quente das transferências de jogadores de futebol nos grandes clubes – o mundo ficou suspenso. Cristiano Ronaldo sai da Juventus, depois de três anos, 133 jogos, 101 golos e cinco troféus. Mas qual seria o futuro clube do avançado português? Essa era a pergunta de um milhão de dólares. Durante umas horas, era dada como hipótese a sua ida para o Manchester City (o que deixou alguns fãs e adeptos surpresos). Mas, ao final da tarde, a notícia chegou: CR7 iria regressar ao Manchester United.

Mas o que esteve — ou melhor quem esteve — nos bastidores deste negócio, para além do seu agente de anos, Jorge Mendes? O advogado e sócio da Morais Leitão, Paulo Rendeiro, advogado da Gestifute há anos. À Advocatus/ECO, o coordenador do grupo de desporto e entretenimento, explicou que “é preciso ter noção de que, geralmente, são três as partes de um negócio desta natureza e dois os consensos a atingir: acordo entre clubes (i.e., entre “vendedor” e “comprador”) e acordo entre jogador e novo clube, E as questões jurídicas não são o que mais importa, na maioria das vezes”, diz o sócio da ML. “Antes, há que gerir expectativas e diferentes sensibilidades, estar igualmente bem preparado para lidar tanto com assessores e gestores de clubes, como com a entourage e assessoria dos atletas”, acrescentou o advogado que integra também a equipa de comercial, M&A e mercado de capitais.

Com esta transferência, a Juventus recebeu 15 milhões de euros. A este montante juntam-se ainda oito milhões de euros dependentes do desempenho do internacional português ao serviço dos “red devils”. Cristiano Ronaldo volta assim ao Manchester ao fim de 12 anos. Na primeira passagem por OldTrafford, entre 2003 e 2009, o internacional português realizou um total 292 jogos e marcou 118 golos. Conquistou ainda dez títulos coletivos: Premier League (três vezes), Liga dos Campeões, Campeonato do Mundo de Clubes, Taça de Inglaterra, Supertaça (duas vezes), Taça da Liga (duas vezes).

Reagindo ao facto do jogador em causa já ter estado no clube, Paulo Rendeiro admite que “não usaria palavra facilitada”, relativamente a esta transferência. “Mas, tipicamente quando se trata de um regresso de um atleta ao seu anterior clube todos, sabemos que o consenso é mais fácil de atingir, sendo isto ainda mais evidente quando o desejo de ‘reencontro’ seja mútuo”, diz. Este foi um caso assim.

Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes e Paulo Rendeiro (da esquerda para a direita)

Mal a notícia se tornou pública pelo Manchester United, o vencedor de cinco Bolas de Ouro recorreu logo às redes sociais para deixar uma mensagem de apreço aos adeptos do seu mais recente clube. “Todos os que me conhecem, sabem do meu amor interminável pelo Manchester United. Os anos absolutamente espantosos que passei neste clube e o caminho que fizemos juntos estão escritos em letras de ouro na história desta grande e espantosa instituição”.

“O que sai nos media e redes sociais, na maioria das vezes, está muito distante da realidade das coisas”

Já o advogado, desvalorizando as redes sociais quando questionado sobre o momento em que o negócio começou a ser planeado fora da cena pública, defende que “o momento em que se começa a falar publicamente da saída do jogador é relativamente irrelevante”. “Nesta indústria a discrição e reserva são a alma do negócio. Este é um princípio que aplicamos em todos os casos, dos mais famosos aos menos sonantes. O que sai nos media e redes sociais, na maioria das vezes, está muito distante da realidade das coisas”, sublinha.

“Há muito trabalho preparatório invisível, no escritório e on the road, sentado a uma secretária num quarto ou receção de hotel ou no chão de uma sala de espera de aeroporto: havendo um portátil, o resto não é problema. Importa é estar concentrado e ter capacidade de adaptação ao ambiente que nos rodeia. São muitas viagens, planeadas e nem tanto, muitos telefonemas e reuniões prolongadas”, conta Paulo Rendeiro.

Paulo Rendeiro, sócio da Morais Leitão

A Advocatus/ECO questionou quantos advogados estiveram envolvidos neste negócio em específico, mas a resposta não foi esclarecedora: “saber quem trabalha numa ou noutra operação, num ou noutro caso, se muitos se poucos, é o menos relevante”. E exemplificou: “só em 2020, o Grupo de Direito Desportivo da ML envolveu mais de 110 advogados em trabalhos para clientes e dossiês relacionados com Desporto e Entretenimento. Da contratação desportiva, ao laboral-desportivo, da propriedade intelectual ao fiscal, administrativo e contencioso, tudo são matérias onde se deve ter especialistas, pessoas com sensibilidade para as idiossincrasias que regem esta indústria”.

“Importante, portanto, é assegurar ecletismo e versatilidade, pois só essas valências permitem garantir uma assessoria multidisciplinar e transversal ao cliente”, concluiu.

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