Anchorage Digital aposta num modelo remote friendly e dias de férias “ilimitados”

A fintech fundada nos Estados Unidos pelo português Diogo Mónica quer "duplicar, senão triplicar" a equipa em Portugal nos próximos meses. Escritório de Lisboa ainda sem data.

Escritório da Anchorage nos Estados UnidosD.R.

A Anchorage Digital está apostada num modelo de trabalho remote friendly, onde cada colaborador é dono do negócio, e onde os dias de férias são “ilimitados”. A fintech fundada nos Estados Unidos pelo português Diogo Mónica quer crescer a equipa em Portugal. “Contamos com 25 colaboradores e o nosso desejo é duplicar, senão triplicar, o tamanho da equipa nos próximos meses.”

“Na Anchorage Digital, sempre acreditamos num espaço de trabalho remote-friendly. Para nós, cada colaborador é dono do negócio e, por isso, damos responsabilidade às nossas pessoas para agirem tendo os melhores interesses da Anchorage em mente e providenciamos formações na área da segurança e boas práticas”, diz Cindy Costa, responsável da Anchorage Digital pelo recrutamento em Portugal, à Pessoas/ECO.

A fintech está apostada num “modelo híbrido”, oferecendo aos colaboradores a “flexibilidade que eles precisam para trabalharem da forma que for mais produtivo para si e para as suas famílias”, diz Cindy Costa. “Embora tenhamos obtido sucesso trabalhando totalmente de forma remota, também reconhecemos que existem muitas vantagens quando as equipas estão juntas presencialmente. A colaboração e a troca de ideias tornam-se mais fáceis e criam-se laços mais fortes”, justifica.

A fintechque em fevereiro levantou uma ronda de investimento em Série C de 66 milhões de euros (80 milhões de dólares) — tem ainda implementado o Anchoring Day, “um dia extra de descanso todos os meses” para os colaboradores e férias ilimitadas, adianta

Anchor Day e “férias ilimitadas”

“Vamos além do que está escrito na lei portuguesa e oferecemos dias de férias ilimitados. Confiamos que todas as pessoas trabalham com a melhor das intenções, já que, na Anchorage, cada um e cada uma é detentor do negócio. Também sabemos que cada pessoa tem uma forma diferente de recarregar energias. Algumas pessoas irão precisar de duas semanas seguidas e outras irão preferir fins de semana prolongados. Assim, faz sentido que tenhamos uma política de férias flexível e ilimitada, para que cada pessoa consiga adaptar-se às suas necessidades“, refere responsável da Anchorage Digital pelo recrutamento em Portugal.

Cindy Costa, responsável da Anchorage Digital pelo recrutamento em PortugalD.R.

Num momento em que muitas empresas olham com curiosidade para a semana de quatro dias de trabalho, dado o sucesso do piloto na Islândia — em Portugal, por exemplo, a Feedzai testou o modelo em agosto –, na Anchorage Digital o futuro não parece passar por esse modelo.

“Devido à natureza do nosso negócio, os nossos clientes exigem que a Anchorage esteja disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. No mercado das criptomoedas, não há fim do dia de mercado, como nos mercados financeiros tradicionais. Este mercado funciona todo o dia, todos os dias (incluindo fins de semana)”, diz Cindy Costa.

“Para permitir o descanso dos nossos colaboradores, e garantir que possam passar tempo com as suas famílias, oferecemos horários flexíveis e tempo de folga pago ilimitado. Isto permite-nos ter uma equipa sempre ativa e, ao mesmo tempo, capaz de fornecer o melhor serviço possível aos nossos clientes”, destaca.

A pandemia fez com que tópicos como a saúde mental, distanciamento social e burnout digital se tornassem ainda mais relevantes. Na Anchorage estamos empenhados em criar políticas de bem-estar que contribuam para a redução de sintomas de stress.

Cindy Costa

Anchorage Accelerate Stipend — educação continuada (workshops, aulas, certificações, conferências, eventos) financiados pela Anchorage — subscrição paga da App de meditação Calm; seguro de saúde — que, além de dentista e oftalmologista, inclui quatro consultas de psicologia e de 12 de psicoterapia reembolsadas por ano –, workshops de promoção da saúde mental (anteriores abordaram questões como “Ciência do sono”, “Do stress ao burnout. Como prevenir?” ou “Reconhecer e saber gerir a saúde mental através da mudança”) são alguns dos benefícios/apoios que a startup oferece aos colaboradores.

Bem-estar dos colaboradores

“A pandemia fez com que tópicos como a saúde mental, distanciamento social e burnout digital se tornassem ainda mais relevantes. Na Anchorage estamos empenhados em criar políticas de bem-estar que contribuam para a redução de sintomas de stress no trabalho e que ajudem a aumentar a sensação de bem-estar, produtividade, autonomia e motivação”, adianta Cindy Costa, quando questionada pela Pessoas/ECO sobre ações que a companhia estava a equacionar para responder ao tema do bem-estar dos colaboradores e a sua saúde mental.

Em maio deste ano, a empresa lançou uma série de iniciativas para assinalar o Mês de Conscientização sobre Saúde Mental. “Durante quatro semanas realizamos workshops sobre A Ciência do Sono, Gestão do Burnout e Como cultivar limites saudáveis entre a Vida Pessoal e Profissional”, adianta. E, recentemente, lançaram o programa Stop-Anchor-Breath, aulas semanais de mindfulness e exercícios de relaxamento.

Triplicar a equipa em Portugal

Globalmente, “só até ao final do ano”, a fintech quer “contratar mais 50 pessoas”. Um reforço de equipa que passa igualmente pelo mercado nacional, onde a startup já tem um escritório no Porto.

“O nosso fundador, Diogo Mónica, nasceu na Califórnia e cresceu em Portugal. Um dos seus sonhos sempre foi abrir um escritório e criar uma equipa em Portugal e esse sonho está agora a tornar-se realidade. Estamos muito entusiasmados por priorizar a contratação em Portugal”, diz Cindy Costa.

Diogo Mónica, fundador da Anchorage DigitalD.R.

Atualmente, contam com 25 colaboradores. “O nosso desejo é duplicar, senão triplicar, o tamanho da equipa nos próximos meses. Neste momento o nosso foco está em contratar para a área de engenharia de software, mais especificamente Backend Engineers, Frontend Engineers e Product Designers. Também temos algumas oportunidades em aberto para as áreas de Client Experience e Operations & TradingTeams”, adianta a responsável para o recrutamento em Portugal.

Um objetivo de crescimento da equipa num momento em que no setor tech as empresas referem a falta de talento disponível. Sente essa mesma dificuldade? “As empresas de tecnologia, em todo o mundo, estão conscientes da dificuldade de contratar talentos já há algum tempo. Na Anchorage Digital, como pioneiros da indústria numa tecnologia que tornará os bens digitais seguros e acessíveis a todos, o nosso trabalho permitiu-nos dar um impulso inicial para atrair talento em Portugal, onde também ajudou o facto de termos cofundador português”, diz. “Hoje o interesse na nossa indústria está a ajudar-nos a contratar mais pessoas apaixonadas por trabalhar numa indústria excitante e em constante mudança“, reforça.

“Estamos também muito orgulhosos por poder participar regularmente em eventos universitários e da comunidade tecnológica aqui em Portugal. Há também um aspeto curioso e significativo: as novas contratações veem e ouvem regularmente o nosso cofundador, Diogo Mónica, na imprensa nacional portuguesa ou em podcasts, a partilhar o que estamos a construir e a nossa filosofia como empresa, e muitas das nossas contratações portuguesas contam-nos que ouviram falar pela primeira vez de Anchorage num artigo ou num evento universitário”, conta.

Em fevereiro a empresa anunciou a vontade de abrir um segundo escritório. “Já contratamos pessoas de diferentes cidades do país, desde Braga, Porto, Coimbra, Lisboa ou Ponta Delgada (Açores)”, refere Cindy Costa. Quanto ao espaço em Lisboa? “Para já não temos uma data para a abertura em Lisboa.”

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