Fed abre a porta à redução dos estímulos mas deixa decisão para depois

Analistas apontam no mesmo sentido: Fed vai abrir hoje a porta à redução do ritmo de compras de dívida, mas só anunciará a decisão em novembro ou dezembro.

A reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed) deverá terminar sem decisões quanto à redução dos estímulos monetários que seguraram a maior economia do mundo durante a pandemia. Ainda assim, os analistas acreditam que o banco central dos EUA vai reforçar a ideia de que o anúncio do chamado tapering está para breve, ainda que a economia não esteja a dar sinais evidentes de recuperação.

As apostas dos mercados apontam para que a Fed venha a tomar decisões concretas sobre o programa de compras de dívida – na ordem dos 120 mil milhões de dólares por mês — na reunião de novembro ou de dezembro, com o banco central a executar a medida ainda este ano ou no início de 2022.

“Apesar do ambiente ainda incerto, a Fed deve reafirmar os seus planos de iniciar o tapering, para não perder a confiança que conquistou nos mercados”, afirmou Franck Dixmier, da Allianz Global Investors, numa nota aos clientes.

“Porém, o presidente da Fed, Jerome Powell, deve permanecer cauteloso e adiar quaisquer anúncios concretos sobre o momento e o ritmo da redução de compras até às reuniões do FOMC de novembro ou dezembro”, acrescentou.

Já os analistas do ING acreditam que o banco central fará um anúncio em novembro e vaticinam que a “redução gradual [dos estímulos] será conduzida rapidamente, começando em dezembro e concluída em cerca de seis meses”, na ordem dos 20 mil milhões por cada mês.

Mercado de trabalho dá mau sinal

Todas as atenções estarão viradas para a conferência de imprensa com Powell após o fim desta reunião. Na conferência anual de Jackson Hole, que teve lugar no mês passado, o responsável já deixou sinais de que o início do fim dos estímulos poderia acontecer brevemente, mas estava à espera de “progressos substanciais” no mercado de trabalho para a Fed avançar com decisões.

Contudo, já depois desse discurso, veio a saber-se que o mês de agosto não trouxe notícias favoráveis nesta frente: a economia criou apenas 235 mil empregos naquele mês, ficando muito aquém do que era esperado pelos analistas (mais de 700 mil postos de trabalho). Este ponto deverá ser destacado por Powell esta quarta-feira.

E a subida dos juros?

Depois da retirada dos estímulos, o que se segue? A normalização dos juros? Para os analistas, Jerome Powell deverá vincar a ideia de que a decisão de baixar o ritmo de compras de dívida não tem nada a ver com qualquer decisão de aumento das taxas diretoras. “Não há um caminho automático”, dizem os analistas do ING sobre o que esperam ouvir do presidente da Fed.

Franck Dixmier vai no mesmo sentido e salienta que o abrandamento da taxa de inflação em agosto “foi uma boa notícia para a Fed”, na medida em que sustenta a mensagem de que a aceleração dos preços foi temporária e não é um perigo para a estabilidade da economia — ou seja, não pressiona o banco central a subir já os juros para conter a escalada dos preços.

Neste cenário, a Fed não mexe nas taxas de juro de referência, que deverão continuar nos atuais mínimos de 0% a 0,25% até 2023, prevendo-se subidas apenas em 2023.

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