Inflação leva sindicato do BCE a exigir aumentos salariais

Com os preços a subir na Alemanha, o sindicato do BCE exige um maior aumento dos salários em 2022. A evolução da inflação chega assim aos assuntos internos do banco central liderado por Lagarde.

O aumento dos preços na Zona Euro é uma batata quente que o Banco Central Europeu (BCE) tem de lidar externamente, mas também internamente. É que o sindicato dos trabalhadores do banco central liderado por Christine Lagarde está a pedir um aumento de salários para compensar a aceleração da taxa de inflação, a qual diz estar a corroer o poder de compra. A proposta do sindicato é que a atualização salarial anual esteja indexada à inflação, o que, aplicado a toda a economia, poderia levar à espiral de preços-salários que o BCE prevê que não vá acontecer.

A informação foi avançada pelo jornal europeu Politico.eu, que teve acesso a um mail enviado pelo sindicato aos trabalhadores e à direção do BCE. O BCE propôs uma atualização salarial de 1,3% em janeiro de 2022 — o que corresponde a uma média ponderada das atualizações salariais nos 22 bancos centrais nacionais –, mas o sindicato nota que esse valor fica aquém da inflação esperada na Alemanha, país onde está a sede do banco central (Frankfurt).

A diferença entre esses dois números [1,3% e a taxa de inflação esperada] significa que cada um de nós vai sofrer uma perda permanente de poder de compra“, argumenta o sindicato, questionando o BCE se não é “capaz (ou se não está disposto?) a proteger a seu própria equipa contra o impacto da inflação”.

A situação que o BCE enfrenta internamente é reveladora do dilema que tem em cima da mesa. Neste momento, o banco central mantém a posição de que o atual aumento significativo dos preços é transitória, fruto de vários fatores, e que no médio prazo a taxa de inflação continuará a apontar para valores inferiores a 2% (abaixo do mandato do BCE), logo os juros não devem subir.

Contudo, não exclui que a situação possa mudar caso haja uma “espiral preços-salários” como resultaria da aplicação do pedido do sindicato em toda a economia, isto é, uma subida sustentada e generalizada dos preços refletida nos salários — não é esse o cenário previsto por Vítor Constâncio, ex-vice-presidente do BCE, nem o que tem acontecido nas últimas décadas.

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