Banca vende carteira de hotéis de luxo em Portugal ao fundo Davidson Kempner

Negócio imobiliário do ano em Portugal já tem decisões. Davidson Kempner compra hotéis de luxo como o Conrad Algarve, o Cascatas Golf da Hilton e o grupo NAU, em negócio de cerca de 900 milhões.

O fundo Davidson Kempner venceu a corrida pela compra de uma carteira de hotéis de luxo, entre outros ativos imobiliários, à banca portuguesa, com quem vai agora negociar em regime de exclusividade, apurou o ECO junto de fontes do mercado.

Para trás ficou o consórcio formado pela Bain e Cerberus, que também apresentou uma proposta firme para comprar os fundos de reestruturação da ECS, sociedade fundada pelo ex-governador do Banco de Portugal António de Sousa e Fernando Esmeraldo, mas que foi insuficiente para convencer os bancos nacionais.

A operação foi classificada como o negócio imobiliário do ano em Portugal e não é para menos. Em causa está uma carteira de hotéis de luxo, incluindo o Conrad Algarve (não o ativo mas o crédito, pois está em causa um complexo e litigioso processo em torno do hotel), o Cascatas Golf & Resort Spa da Hilton e o grupo NAU, de centros comerciais La Vie, entre outros ativos imobiliários. A transação poderá rondar os 900 milhões de euros, segundo havia avançado o Jornal Económico.

É expectável que o negócio fique concluído durante o primeiro semestre do próximo ano, sendo que bancos e investidor vão agora avançar para negociações exclusivas nos próximos tempos. Em cima da mesa estará um financiamento bancário que poderá ser superior a 60% do valor da compra, como o ECO já revelou.

Novobanco, BCP e Caixa Geral de Depósitos são os bancos com maiores exposições neste conjunto de ativos, sendo que Santander e Oitante (veículo financeiro criado para gerir ativos do Banif que não foram comprados pelo Santander) também detêm unidades de participação nos fundos da ECS.

A operação é importante para as instituições financeiras, pois vai permitir limpar o balanço de ativos não estratégicos e que penalizam bastante os rácios de capital dos bancos. No entanto, falta perceber qual o impacto que o negócio terá nas contas. Isto porque se as unidades de participação forem vendidas por um valor abaixo daquele a que os bancos têm contabilizado nos seus balanços, isso significará perdas adicionais para os bancos.

Este não é o primeiro negócio da Davidson Kempner em Portugal. Em 2019, este fundo americano comprou a carteira “Nata 2” ao banco liderado por António Ramalho num negócio que veio a revelar-se polémico por causa das perdas que gerou para o Fundo de Resolução.

O ECO contactou os bancos sobre esta operação, mas nenhum quis ou esteve disponível para responder até à publicação deste artigo. A ECS também não quis comentar.

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