Do bacalhau ao peru, este ano a Ceia de Natal vai ficar mais dispendiosa

O Natal está a chegar e é certo que os portugueses vão ter de abrir os cordões à bolsa devido à subida generalizada dos preços. Do bacalhau ao peru, fique a saber qual o aumento.

O Natal está à porta e a ceia vai ser mais cara devido à tempestade perfeita que o mundo está a assistir. Com o aumento dos custos das matérias-primas, energia e contentores marítimos, o preço do bacalhau, peru, produtos agrícolas e azeite vão sofrer com a inflação nesta quadra festiva. A oferta não está em causa, mas a lista de compras vai pesar mais na carteira dos portugueses.

O bacalhau, o produto estrela e um dos mais procurados para a ceia de Natal, está mais caro que o ano passado. Isabel Santos, proprietária da Gel Feira, confirmou ao ECO que o “bacalhau está mais caro cerca de 10%” e justifica que a “inflação deve-se não só ao cocktail explosivo”, mas também “porque este ano houve menos pesca”. A proprietária da Peixaria localizada em Santa Maria da Feira destaca ainda que os “clientes estão a par do aumento dos preços” e acima de tudo, “atentos”.

Não é só o bacalhau que custa mais nesta época festiva, o preço das carnes de bovino e de aves, sobretudo frango e peru, está também mais caro. Pedro Pereira, gerente do Talho Ideal, conta que “as carnes estão todas mais caras, à exceção da carne de porco“. O gerente do talho, localizado em Escapães, explica que “o preço da carne de vitela foi o que subiu mais, entre 20% a 25%. Já o frango e peru subiram entre 15% a 20%”, quando comparado com o ano passado.

Pedro Pereira diz que o “antes vendia carne da vazia a 13.99 euros o quilo, agora custa 18.99 euros”. O gerente do Talho Ideal corrobora a ideia da proprietária da Gel Feira e afirma que “as pessoas estão informadas que está tudo mais caro”.

Para além do bacalhau e das carnes, Natal que é Natal tem uma garrafa de azeite na mesa. O CEO da Herdade Maria da Guarda, João Cortez de Lobão, conta ao ECO que como “o custo de transporte está a aumentar, esse efeito está diluído no aumento do preço do azeite no mercado internacional”. Uma garrafa de azeite está 7% mais cara, exemplifica.

A inflação resulta no aumento generalizado dos custos de produção. Por muito esforço que seja feito para mitigar este aumento dos custos, é impossível não ter aumentos no preço final com este tipo de incrementos.

Gonçalo Lobo Xavier

Diretor-geral da APED

O gestor da Herdade Maria da Guarda, que é um dos maiores produtores de azeite em Portugal, realça que “o aumento do custo vai ser passado pelos embaladores para o consumidor final. E quem não o conseguir fazer, suporta os respetivos prejuízos”. “Os grandes embaladores internacionais estão a pagar mais alto o azeite e presume-se que farão impactar essa variação nos preços do azeite embalado que chega aos supermercados”, alerta.

A acrescentar à lista, os produtos ligados às farinhas, ao trigo e ao pão já estão a ser alvo de uma revisão de preço em alta, como alertou a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Várias panificadoras admitem subir o preço do pão perante a escalada dos preços da energia e de matérias-primas essenciais ao negócio.

Os produtos agrícolas também vão sofrer inflação. A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alerta para a “incontornável” subida dos preços destes artigos, face ao aumento dos custos dos fatores de produção, como os combustíveis e os adubos.

Nesta quadra natalícia, até os guardanapos vão ficar mais caros. A Navigator aumentou os preços de produtos como papel higiénico, guardanapos, rolos de cozinha e toalhas de mão, de 8% a 10%

O diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) deixa os consumidores tranquilos e garante que “não haverá ruturas na cadeia de distribuição” e que não vamos assistir a um “cenário de prateleiras vazias”.

“Não estamos com ruturas na cadeia de distribuição, nem no alimentar nem no especializado. Existe de facto muita pressão na cadeia, temos bastantes atrasos nas entregas de alguns produtos, mas nada de dramático e cenário de prateleiras vazias”, afirma Gonçalo Lobo Xavier.

Apesar de traçar um cenário relativamente positivo, o diretor-geral da APED alerta que “há alguns produtos ligados à eletrónica que demoram mais tempo e como é óbvio começa a existir alguma dificuldade em repor este tipo de produtos”. Segmento das consolas, acessórios de consolas e iPhones são alguns dos produtos em causa.

“Todos os anos, nesta altura, independente de ser pandemia ou não, todos os anos há ruturas e há produtos que esgotam porque existe uma procura enorme. Este ano não é diferente”, realça.

Os produtos vão estar nas prateleiras, mas a um preço mais elevado. “A inflação resulta no aumento generalizado dos custos de produção. Por muito esforço que seja feito para mitigar este aumento dos custos, é impossível não ter aumentos no preço final com este tipo de incrementos”.

O presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, diz que as dificuldades são transversais a todos os setores de atividade, o que implica uma escalada de preços em termos gerais. “Urge encontrar soluções para esta tempestade perfeita que, para já, não tem fim à vista”, conclui.

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