Santander vende antiga sede do ex-Popular em Lisboa por mais de 50 milhões

Santander vai vender a antiga sede do ex-Banco Popular à espanhola Incus Capital por mais de 50 milhões de euros, sabe o ECO. Negócio vai ser fechado no início do próximo ano.

Quatro anos depois de ter adquirido o Banco Popular, o Santander está prestes a vender o edifício onde estava a sede daquela instituição. Mesmo ao lado da atual sede do Santander, na Praça de Espanha, em Lisboa, o edifício vai ser vendido à espanhola Incus Capital Advisors por mais de 50 milhões de euros, sabe o ECO. O negócio vai ser fechado no início do próximo ano.

O imóvel no número 51 da rua Ramalho Ortigão esteve no mercado entre final de outubro e 30 de novembro e atraiu cerca de uma dezena de interessados nacionais e internacionais, tais como a Square Asset Management, a Finsolutia e o Grupo Violas. O Santander fixou um preço base de 40 milhões de euros para o edifício, sendo que os interessados tinham de apresentar propostas iguais ou superior a este valor.

A proposta mais alta foi feita pela Incus Capital, que ofereceu mais de 50 milhões de euros, e acabou mesmo por ser a escolhida pelo Santander, sabe o ECO. A antiga sede do ex-Popular será, assim, adjudicada a esta empresa de crédito de risco espanhola.

O negócio deverá ser fechado no início do próximo ano, uma vez que a vontade do Santander era assinar o contrato de compra e venda até final de janeiro, tal como consta do teaser que foi enviado pelo banco ao mercado, ao qual o ECO teve acesso. Apesar desta venda, o Santander vai ocupar o edifício até 30 de junho de 2022, suportando até lá os custos com o imóvel.

A antiga sede do ex-Popular foi remodelada em 2019 e 2020 e tem uma área total de 25.446 metros quadrados, espalhada por dez pisos acima do solo e cinco subterrâneos. Conta ainda com 206 lugares de estacionamento e oito elevadores.

Antiga sede do ex-Popular, na Praça de Espanha, em Lisboa.Google Maps

O ECO contactou o Santander para saber mais detalhes sobre a operação, mas até ao momento de publicação deste artigo não obteve resposta. A Incus, por sua vez, recusou fazer comentários.

A Incus Capital está em território nacional desde 2012 e, em fevereiro do ano passado, lançou um fundo com 600 milhões de euros para investir no imobiliário da Península Ibérica, como referiu o responsável da empresa em Portugal, numa entrevista ao ECO. “Estamos muito empenhados na estratégia de escritórios”, disse na altura Tiago Brandão.

No ano passado, a Incus adquiriu os edifícios de escritórios Arquiparque II e Atlas III, em Miraflores, e comprou à Caixa Geral de Depósitos o edifício GreenPark, onde está a Maló Clinic. Este ano juntou à carteira o edifício de escritórios D. Manuel II, no Porto, que comprou à holandesa NIPA Capital e cujo principal inquilino é a Tranquilidade.

O Grupo Santander adquiriu no final de 2017 o Banco Popular, numa operação que foi fechada por um euro no âmbito de uma medida de resolução. Isto depois de um ultimato feito pela Comissão Europeia. Neste processo estava ainda incluído um aumento de de capital de sete mil milhões de euros por parte do Santander, um reforço necessário para cobrir o capital e as provisões necessárias para fortalecer o Popular.

Com esta operação, a marca “Popular Portugal” foi descontinuada e todos os balcões passaram a ter a imagem do Santander. O Santander “herdou” vários ativos do Popular — como a sede que será agora vendida –, mas optou por se desfazer deles. É o caso de uma carteira de imóveis no valor de 600 milhões de euros, que acabou vendida ao fundo norte-americano Cerberus em fevereiro de 2019, tal como o ECO noticiou na altura.

O Santander registou um lucro de 172,2 milhões de euros até setembro, uma descida de 32% face ao mesmo período do ano passado. O banco justificou este resultado com a contínua redução das margens financeiras, devido às baixas taxas de juro. As receitas recorrentes de natureza comercial continuaram a ser afetadas por um “contexto adverso, fruto da conjuntura económica incerta decorrente da pandemia”.

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