Auditoria iliba Vieira na transferência de três jogadores do Benfica

A auditoria encomendada por Rui Costa concluiu que não houve dano causado ao Benfica por parte de Luís Filipe Vieira, no âmbito das suspeitas do processo Cartão Vermelho.

A auditoria encomendada pelo atual presidente do Benfica, Rui Costa — no seguimento do processo da Operação Cartão Vermelho — concluiu que não há evidências que o Benfica tenha sido lesado por Luís Filipe Vieira, ex-líder dos encarnados.

Ao que o ECO/Advocatus conseguiu apurar, esse trabalho feito pela consultora Ernst & Young (EY) fez com que, para já, a equipa da direção e os advogados do clube tenham decidido não constituir a SAD do Benfica como assistente no processo.

Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, foi identificado pelo DCIAP como fazendo parte de um alegado esquema de fraude que consistia em comissões altas atribuídas ao empresário e advogado Bruno Macedo, na compra e venda de passes de três jogadores, com desvio de dinheiro da Benfica SAD, que mais tarde revertia para o presidente do clube pagar dívida das suas empresas.

A investigação identificou ainda esquemas de fraude em proveito pessoal de Luís Filipe Vieira e das suas empresas, sendo o principal prejudicado o SLB, o ex-Grupo Espírito Santo, o atual Novo Banco e ainda o Estado português. Em causa estão alegados crimes de burla qualificada, abuso de confiança agravada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, numa investigação que resultou na detenção de Luís Filipe Vieira e, mais tarde, na aplicação de uma caução de 3 milhões de euros.

A auditoria foi concluída e entregue a 22 de dezembro ao clube e garante que não havia evidência de que o Benfica teria sido lesado por Luís Filipe Vieira, no que toca à transferência de três jogadores, negócio que está no cerne da investigação do DCIAP. Porém, Rui Costa decidiu pedir o alargamento dessa mesma auditoria a mais 55 contratos. Dependendo do resultado desse trabalho, logo decidirão quais serão os próximos passos.

Porém, a mesma investigação do Ministério Público garante que estão em causa “negócios” e “financiamentos” superiores a “100 milhões de euros” que terão levado a “elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades”. Uma delas será o próprio Benfica.

Luís Filipe Vieira acabou a pagar uma caução no valor de três milhões de euros com a hipoteca de dois imóveis no Dafundo, um dos quais onde vive o ex-presidente do Benfica. Cada um tem o valor de 1 milhão e 380 mil euros. O remanescente foi pago em dinheiro, através de um depósito-caução de 240 mil euros.

Relatório da Autoridade Tributária

Segundo um relatório da Autoridade Tributária — que foi adicionado à investigação do DCIAP — Luís Filipe Vieira é considerado suspeito de recebimento indevido de ‘luvas’ em 55 negócios de transferência de jogadores do Benfica, compras e vendas entre 2012 e 2020, que geraram, no total, mais de 10 milhões de euros em comissões.

A investigação é, agora, muito mais alargada do que em julho, quando Vieira foi detido e apenas confrontado com suspeitas sobre transferências de três jogadores.

Formalmente, são dezenas de milhões de euros que terão sido pagos, por serviços de intermediação, a quatro empresários: Ulisses Santos, Isidoro Gímenez, Bruno Macedo e Giuliano Bertolucci.

Nestes documentos, estão informações sobre todos os negócios. A transferência de Seferovic terá gerado uma comissão de um milhão de euros. E do avançado Cebolinha, 1,2 milhões. Na compra de Morato ao São Paulo, a comissão foi de 1,5 milhões. Na venda de Lisandro López ao Boca Juniors, 1,4 milhões de euros.

Entrevista de Rui Costa à Benfica TV

Em entrevista dada à Benfica TV, Rui Costa falou sobre o conteúdo das escutas da operação Cartão Vermelho, que resultou na detenção do antecessor Luís Filipe Vieira.

Sobre escutas, Rui Costa começou por falar no exagero mediático das mesmas pois “muitas delas nada têm a ver com o processo em si”. Quanto à operação Cartão Vermelho, o dirigente espera “que se resolva rápido e que sejam apuradas todas as consequências”, para que o Benfica “possa olhar para a frente e não para trás”, pois está a ser “tremendamente prejudicial num processo que devia estar em segredo de justiça”.

No que toca à auditoria, o dirigente encarnado disse ainda que “a empresa responsável foi a Ernst & Young e apresentou resultados a mim, vice-presidente e nossos advogados. Ficou assim decidido pelos nossos advogados o Benfica não se constituir assistente. O que advogados, empresa e nós concordámos foi estender esta auditoria aos 55 contratos que estão a ser investigados. Quisemos levar o processo até ao fim, investigar esses contratos e no final analisar em que ponto está a situação. Se acharmos que devemos ser assistentes, assim o faremos. A acontecer algo, serei intransigente”, concluiu.

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