Ikea sobe mais de 6% os salários de entrada na cadeia em 2022

O retalhista sueco vai aumentar os salários de entrada da companhia em Portugal, bem como os apoios financeiros à parentalidade em 2022.

A Ikea vai aumentar os salários brutos de entrada dos trabalhadores das lojas de 700 para 750 euros (+7,14%) e dos centros de apoio ao cliente de 800 para 850 euros (+6,28%), subidas que irão ter um impacto de 6,3% no valor total que a cadeia sueca vai investir salários este ano face a 2021, adianta Cláudio Valente, country people & culture manager da Ikea Portugal, à Pessoas. A companhia reforçou ainda os apoios financeiros à parentalidade. A semana de quatro dias “não é um tema prioritário para nós nesta fase.” A Ikea tem 2.600 trabalhadores em Portugal.

“Nos últimos anos, a Ikea já tem vindo a aumentar o salário de entrada de todos os colaboradores acima do salário mínimo nacional e está em linha com os setores de retalho e serviços de apoio ao cliente”, adianta Cláudio Valente, diretor de RH da Ikea, à Pessoas, frisando que a decisão do Governo de subir este ano, para 705 euros, o salário mínimo nacional não tem impacto na companhia.

“A partir deste novo ano, voltamos a investir no processo regular de revisão salarial e o valor do salário de entrada aumentará de 700 euros para 750 euros brutos mensais, para um colaborador a tempo inteiro na área do retalho (valor acima do salário mínimo estipulado pelo Governo para 2022). Já para o Centro de Apoio ao Cliente, o salário de entrada será de 850 euros brutos mensais. A este valor é adicionado o subsídio de alimentação, entre outros benefícios que oferecemos a todos os colaboradores”, revela o responsável de RH da cadeia sueca. A empresa paga 4,55 euros/dia de subsídio de refeição, “complementados com a possibilidade de terem acesso a refeições a preços muito baixos no restaurante exclusivo de colaboradores”.

“Entre esta ação e as restantes atualizações salariais previstas, temos a expectativa de, em 2022, aumentar em 6,3% o valor total pago em salários na Ikea Portugal, quando comparado com 2021”, reforça.

A companhia junta-se assim a uma série de outros operadores do retalho alimentar que já anunciaram atualizações remuneratórias nos salários de entrada dos colaboradores, posicionando-os acima do novo salário mínimo nacional, como a Jerónimo Martins e o Lidl, tal como avançou em dezembro a Pessoas.

“Na Ikea, acreditamos que com mais este passo no aumento do salário de entrada, conjuntamente com outras empresas líderes do setor que já anunciaram movimentos semelhantes, continuamos a valorizar o retalho enquanto setor empregador de referência no país”, comenta Cláudio Valente quando questionado sobre se o retalho tem capacidade para acolher este aumento de custos na sua folha salarial face a eventuais quebras de consumo com o evoluir da economia.

Mas deixa uma nota: “Convidamos os decisores públicos a considerar medidas cada vez mais arrojadas para potenciar a melhoria dos níveis de vida e do poder de compra da maioria das famílias portuguesas.”

Dos 2.600 colaboradores da empresa em Portugal, “cerca de 90% dos contratos são permanentes, quando as funções são igualmente permanentes”, pois, “queremos promover sempre uma boa experiência e garantir segurança e estabilidade financeira e psicológica a todos os nossos colaboradores.”

No que toca às posições a tempo parcial, a empresa está a procurar “criar oportunidades internas para que os colaboradores interessados se possam candidatar a mais horas na sua função ou até a possibilidade de se candidatarem a outras áreas de trabalho“, diz. “Temos, por isso, cada vez mais pessoas que se estão a desenvolver em áreas complementares, por exemplo, serviço a cliente e logística ou vendas e Centro de Apoio ao Cliente. Desta forma, para além de terem uma maior remuneração, estas pessoas estão ainda a desenvolver novas competências e ampliar as suas possibilidades de crescimento e desenvolvimento na empresa.”

Apoio financeiro à parentalidade reforçado

Em outubro passado, o grupo anunciou que iria distribuir 110 milhões de euros pelos colaboradores nos 32 mercados onde opera, tendo os colaboradores portugueses recebido um bónus — o “UppSkatta — de cerca de 460 euros/brutos. Além deste prémio, a companhia atribui, por norma, um bónus anual, com base no desempenho da empresa e da unidade, o “One Ikea Bonus”, tendo ainda o “Tack!” (programa de fidelização focado na vida do colaborador no período de reforma). Mas sobre o que companhia reserva este ano aos colaboradores terá de se aguardar. “O nosso ano fiscal ainda está a meio (começa no dia 1 de setembro de cada ano), pelo que é ainda cedo para fazer estimativas relativamente a pagamentos”, justifica o country people & culture manager da Ikea Portugal.

Num momento que a atração e retenção de talento se joga também muito nos benefícios extra-salariais, o retalhista decidiu este ano reforçar os seus trunfos.

“Temos uma preocupação constante em assegurar o bem-estar, a estabilidade e a felicidade dos nossos colaboradores. Acreditamos que pessoas felizes contribuem para um ambiente de trabalho melhor e mais inspirador. Temos também a consciência que, em primeiro lugar, o meu empenho e o meu compromisso com a empresa vai muito além das compensações e benefícios e que, por sua vez, estes são muito mais do que o salário. Trabalhar numa empresa com um ambiente humano e inclusivo, com a qual partilho os meus valores pessoais, que respeita a minha individualidade e onde eu me sinto em casa é fundamental na atração de talento”, argumenta Cláudio Valente.

“Mas, naturalmente, a forma como sou compensado pelo meu trabalho também é muito relevante nesta equação. Neste sentido, temos vários benefícios que, além do salário, contribuem para um maior equilíbrio e bem-estar no dia a dia dos colaboradores. Em 2022, este plano de compensações e benefícios da Ikea, com especial atenção para a parentalidade, também foi atualizado“, afirma.

O benefício “Ajuda de Nascimento” — para todos os colaboradores que se tornam pais biológicos ou por adoção — “aumenta para 665 euros brutos (um aumento de 48% face ao ano anterior)” e o programa “Passa mais tempo com o teu bebé” — que permite estender a licença parental (biológica ou por adoção) por mais dois meses, para além do período regular estabelecido pela Segurança Social — “aumenta também o seu apoio mensal para 665 euros brutos (um aumento de 84% face ao ano anterior)”.

Se a pandemia veio colocar sob pressão os trabalhadores da linha da frente, como do retalho, com impacto na ligação dos mesmos às companhias, na Ikea, assegura o responsável de RH, não se tem feito sentir nem em dificuldade de recrutamento — “temos muito orgulho em ver que os nossos processos de recrutamento têm tido bons resultados, mesmo no contexto atual” — nem num desligamento entre os colaboradores e a organização, espelhada num recente estudo da Microsoft sobre os trabalhadores que exerceram funções presencialmente, sem recurso ao teletrabalho.

“O feedback e os dados internos — fruto de questionários e diferentes sessões de avaliação das nossas pessoas — são muito positivos e reveladores de que o compromisso dos colaboradores Ikea com a marca mantém-se muito forte e isso deixa-nos muito orgulhosos. Vimos estes números crescer nestes últimos anos, tão desafiantes para todos”, diz Cláudio Valente.

“A Ikea é uma empresa de retalho, cada vez mais omnicanal, onde a maioria dos colaboradores não trabalha em modelo híbrido pois as suas funções não o permitem. Ainda assim, todos os colaboradores com funções compatíveis (especialmente em escritórios e Centro de Apoio ao Cliente) estão a cumprir as recomendações do Governo e da Direção Geral de Saúde, seja em teletrabalho obrigatório ou recomendado”, refere o country people & culture manager da cadeia.

Ainda assim, em agosto, à Pessoas a empresa tinha adiantado estar a equacionar para os trabalhadores cujas funções o permitissem um modelo híbrido de trabalho. “A adoção de um modelo híbrido continua a ser a realidade neste momento e antecipamos que se mantenha no futuro próximo, permitindo uma maior flexibilidade para as equipas.

Já a adoção de uma semana de trabalho de quatro diastema que voltou à discussão na campanha eleitoral com o PS — não faz parte das prioridades da empresa. “Estamos atentos ao desenrolar da discussão política em torno das empresas, colaboradores e sindicatos, no entanto, este não é um tema prioritário para nós nesta fase.”

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