Lucro da Caixa sobe 18,7% para 583 milhões em 2021

Apesar do aumento dos volumes de crédito e depósitos, a margem financeira continuou pressionada pelos juros baixos do BCE. Comissões à boleia de fundos e seguros compensou.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 583 milhões de euros em 2021, uma subida de 18,7% em relação ao ano anterior. O banco não divulgou o montante de dividendos a distribuir pelo Estado, mas o CEO Paulo Macedo disse em conferência de imprensa que já pagou 584 milhões desde 2019 e que o dividendo deste ano “dependerá das conversas que o conselho de administração tiver com o acionista”. A proposta de Orçamento do Estado que foi chumbada em novembro previa um dividendo de 200 milhões.

O banco público aumentou os volumes de crédito (+3,6% para 52,5 mil milhões) e de depósitos (+9,7% para 79,7 mil milhões), não evitando, ainda assim, uma quebra de 4,3% na margem financeira, num total de 1.006 milhões de euros, por causa pressão dos juros baixos que se registam na Zona Euro por conta da política monetária que se prepara para um novo ciclo. O custo suportado dos depósitos junto do BCE atingiu os 39 milhões e o banco também teve um impacto negativo de 5,4 milhões com os juros negativos no crédito, exemplificou Macedo aos jornalistas.

Com o aumento da atividade económica no ano passado por comparação com 2020, devido à pandemia, as receitas com comissões subiram 12,9% para 565 milhões de euros, compensado a queda da margem. A nova administradora financeira da CGD, Maria João Carioca, deu conta de um aumento de 26% as receitas com comissões por via da venda de fundos de investimento e seguros financeiros. O produto bancário registou uma subida de 7% para 1.773 milhões de euros.

Os custos de estrutura caíram 8,8% 776 milhões de euros, com os custos com pessoal e administrativos a caírem 11,5%.

Rentabilidade sobe, malparado desce

O banco é liderado por Paulo Macedo, que acabou de ver o seu mandato renovado pelo BCE no final do ano passado.

Fechado o processo de reestruturação na sequência da recapitalização, a Caixa procura agora aumentar a rentabilidade do seu capital e, sobretudo, devolver o dinheiro aos contribuintes e investidores que tiveram de injetar no banco há cinco anos – dois mil milhões até 2023. Fechou 2021 com um ROE (rentabilidade do capital) de 7%, mais 0,9 pontos percentuais em relação a 2020.

Macedo acabou de receber autorização do BCE para recomprar 500 milhões de euros em títulos de dívida perpétuos que custam 54 milhões por ano, o que vai permitir gerar poupanças “significativas”.

Esta operação não abalará a posição de capital da Caixa, que fechou 2021 com rácios CET1 e Total de 18,1% e 19,7%, respetivamente.

Há uma semana recebeu uma notícia positiva do BCE: viu o requisito de Pilar 2 aliviado de 2,25% para 2%, um indicador que compara bem com a média dos bancos da Zona Euro, o que reflete as melhores condições com que o banco público se apresenta atualmente.

A qualidade da carteira de crédito também ajuda na solidez da Caixa: o rácio de malparado (NPL) baixou para 2,8% do total do crédito, com um grau de cobertura acima de 100%.

(Notícia atualizada às 17h55)

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